sexta-feira, 17 de outubro de 2008

o córtex frontal e suas sinapses errantes

Quem nunca cavucou a memória, o passado e estabeleceu sentidos entre as relações e com o todo acontecido, não é ninguém senão uma folha em branco. Uma folha em branco, pois refletem todas as luzes, não são folhas escritas, não absorvem nas superfícies das letras, preta, todas as luzes, nem que somente no espaço onde foram escritas. É muito importante, ao se ser uma folha escrita, saber que só se sabe tudo nas superfícies preenchidas pelas letras: é uma questão de progressão geométrica, em que quanto mais se sabe, mais se tem a saber.

ps sobre como acho que me comportei nesse texto: as áreas do conhecimento se entrelaçam ou é só o período vestibuleiro que deixa as pessoas assim?

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

tanto para nada, tanto do nada e tanto por nada

enérgicas
estéticas
imagéticas,
produzem
réplicas
geométricas -
antiéticas!
discutem
métricas
herméticas,
sintéticas
que concluem
idéias
hipotéticas,
maquiavélicas -

o mais novo,
é meu!

sábado, 11 de outubro de 2008

Privada do banheiro dos filhos, entupida

São as minhas banhas
de fato são elas
e o sexo também
nunca completamente
nunca liberta-mente
nunca toque quente

Mas não
não é só isso
me recuso a acreditar que tudo esteja sendo por causa disso.
Talvez uma infância insalubre
mal-temperada
numa família freudianamente planejada
pai e mãe casados, dois filhos
unidos pelo amor que disseram: nós temos
e assim desarrumada

Alguma notas baixas me deixaram no fundo do poço:
mais uma causa ou mais uma conseqüência?

Então tá;
é tudo lindo sob outro ponto de vista -
sinapses minhas negam,
outras balanceiam
e sintetizam, ficando em questionar:
é?
O céu, eu vejo, está azul
em contraste com o verde da mata urbana do Rio
e a praia está lá
e algumas pessoas usam óculos escuros e fazem esportes por aí
enquanto outras se vestem daquilo que não é mais
e se divertem, querendo tavernas, querendo esbórnias, bossa
criação de uma ilusão nostálgica, plástica, falseada, pós-fordista
mata urbana?
enrolaram o meu arcadismo!

Seria química a minha causa de todas as conseqüências?
metabolismo e drogas e sedentarismo
uma tríade e tanto

Somos todos crianças
curiosos
inquietos
prontos para entubar nossos desejos por qualquer estímulo externo
que nos obrigue
como se não conseguíssemos dizer:
assim, assim, assado, cozido e frito, eu quero.
somos tão crianças que não sabemos
as palavras que dirão o que queremos
ou as crianças são o mesmo que nós
e acabou que somos todos a mesma coisa
impedidos por nós mesmo de tocar na tomada porque dá choque
e a sua mãe lhe disse o preço da curiosidade

se disse...
da esperança,
do amor que nós temos!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

reinsidente lei da vida ou acende um cigarro porque acabou

De repente se acaba
toda a vontade escrachada
o furor saliente,
a lascívia e conseqüentemente
foge a resposta esperada
a certeza do nada
sem saber mais o que se tente.

Quanto ao medo surgido
emergido
pulsado
provindo do fim do motivo,
se esgueira no mundo,
se finge de surdo
mas logo faz um amigo,
- vou escrever um livro!
e se acomoda encantado
porque pode esperar descansado
pelo próximo chamado afobado
e intempestivo do instinto.

in vino veritas

Se o dia corre
como a semana passa
e o velho morre
tudo perde a graça
o tempo se corrói
fico assim sem massa
encefálica que prove
que eu não tenho asas
que eu não tô de porre

make up leaving

Let's drink some sad pain
instead
of living bored way
forehead
spill off some mistakes
get where?
dream up some feelings
in head

There's no life,
I'm turning inside,
I'm so tired.
I show my sin
like that
to live death within.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Se houvesse mais sobre o que escrever que não fosse já escrito, que já não tivesse sido filmado, que já não tivesse sido sentido e em conseqüência estudado... Poderia escrever um livro. A condição humana, é ela, a grande pedra no sapato da contemporaneidade, a barreira que precisamos quebrar para alcançar o que tantos ocultistas e espiritualistas crentes esperam encontrar em breve, em vão.
A vacuidade do ser já me cansa, já não é mais tão motivadora nem mais tão linda. A vacuidade do ser sou eu, o querer não é mais poder, e eu estou cansado. Dar a volta por cima de quem? Dar a volta por cima é contra as leis da gravidade, e a gravidade parece estar pesando mais do que nunca, afinal, depois de tantas máquinas, eu acredito que o peso da Terra tenha aumentado drasticamente. O produto final, o ideal, a eficiência máxima, a genialidade não encontrada, o poeta do nosso tempo. Lapidar mais é doloroso e utopicamente gratificante. Quando nós vamos conseguir dizer chega?