Quando nos obrigamos a aceitar que os fatos são inamovíveis, estamos submetendo-nos. Por que devemos crer que o mundo opera de maneira a provar a sua existência como superior à nossa vontade? Em última instância, por mais que não queiramos, estamos reconhecendo que, nesse império do mundo, existem coisas impossíveis, que regulam a nossa capacidade de transformação da realidade a nosso favor. Por pensarmos na fatalidade inerente, sob a constatação inequívoca da nossa falta de poder, entendemos que as coisas impossíveis constituem uma organização do mundo, uma metafísica. O trauma, a dor, a tragédia, o amor fati: como conceitos, ainda que a posteriori, retratam a inexistência de uma especulação metafísica em aberto. Só há a metafísica do fato, um império. O realismo nietzscheano e existencialista, ou ateu, mesmo que se diga afirmador da vida, entende uma existência metafísica do real: o possível e o impossível. Ora, mas não seria a plasticidade do mundo infinita? Para os dessa corrente, parece que não. Sem nem perceber, defendemos -- nós, reles mortais, e eles, grandes filósofos -- a existência de um romantismo realista (e há que se querer o contrário: um realismo romântico)): é uma explicação irracionalizável que sustenta a superioridade do fato, seja pela alegação da experiência do trágico, seja pela sua argumentação intersubjetiva indizível, incomprovável -- desesperada; pois não se trata aqui de comprovar, mas, talvez, no máximo, de demonstrar: em pasmo -- mostro-lhes minhas cartas, e vocês me mostram as suas. E me digam: se não é isto um fato? Talvez essa seja a primeira metafísica irracional, por isso tenha sido também chamada de filosofia da vida. Por quê, mesmo, se ela afirma a morte, assim, como um fato?... Os alemães não conseguiram explicar muito bem.
quinta-feira, 23 de maio de 2024
segunda-feira, 13 de maio de 2024
Escrevendo livre
Trabalho mesmo, ainda não encontrei. Estou buscando.
Nisso, fico na dúvida se acredito no meu amigo que acha que nada mais tem jeito, ou se fico otimista com meu desemprego aos 34 anos. Semi desemprego. Estou fazendo um mestrado em filosofia e achei que poderia escrever coisas interessantes, só que não é bem assim.
Estava relendo esse meu blog aqui, e descobri coisas com bem mais força, quando escrevia livremente, que até tive vontade de largar tudo para ser SÓ ESCRITOR. Mas viver de que? Pareço um adolescente de novo, não sei oque fazer. Acho que só soube por muito pouco tempo.
Mesmo assim deu errado.
Amanhã saberei se trabalho em uma barraca de praia, e este talvez seja meu maior sonho, onde poderei ficar lendo e escrevendo meus livros e poesias.
Tem um quiosque do lado, poderia virar dj. E morrer na praia.
