quinta-feira, 2 de julho de 2026

De Volta para o Brasil - capítulo 2: o início do supercampeonato

Por volta das 14:30 daquela quinta-feira, Zeca finalmente acorda, depois de 3 dias de "sono picotado": pela fome, pelo cansaço de dormir, pelos estímulos da casa. Na sua décima respiração acordado, os pensamentos sobre os fatos passados na última vigília tomam uma aceleração incontrolável, e seu coração dispara. Havia faltado ao ensaio; teria de ver-se com sua mãe; mas o mais importante de tudo era a necessidade de executar o plano com Gominho. A máquina do tempo existia mesmo; ele não estava delirando. Ou estava? Será que Gominho ainda estava disposto a seguir com o combinado? E a comunicação com Preta por sinais informáticos — ele não podia negar. Olhou o celular e, para alívio de sua paranoia, já havia algumas mensagens de Gominho. "Já acordou? Me avisa. Tenho boas notícias." Em taquicardia, levantou-se da cama meio acabado ainda, atônito, foi para o banheiro, mas nem escovou os dentes, por pura desatenção ao mundo: só pensava naquilo. Ouviu sua mãe falando alto, no quarto, ao telefone. Estava negociando alguma coisa. Entrou no banho, para ver se se acalmava antes de ligar para Gominho, porque o dia de hoje seria definitivo: precisava fazer alguma coisa: qualquer coisa. Pelo basculhante do prisma interno de ventilação, ouviu a conversa da sua mãe, que entrara no banheiro da suíte dela para fazer xixi. A negociação já estava conclusiva.

-- Sim, claro, Tati! Estou super dentro. Vai ser quem mais? Claudinha Leitte, Karol Conká, Jojô e... Quem mesmo? Mas quem é Lumena? Ah... sei. É, sim, pode dizer que eu aceito, sim. E sucesso no seu novo programa! E, ah, claro, obrigado por essa. Ah, Tati! Espera! O cenário vai mudar mesmo, como você disse? Ahn... Entendi. Uma mesinha de centro, mas agora sentaremos... É... Ao redor da mesinha, mas totalmente ao redor? Não vai ter uma câmera frontal? Estão estudando ainda a possibilidade; entendi. É, meio esquisito, mas é isso, né. É o que é! É claro que vai ser um sucesso! Nova temporada do Saia Justa, aqui vamos nós!!! Hahaha! Obrigado, querida. Um beijo. Nos vemos já já, né? Ah, estão esperando por mim no Projac? Ih, 16:30 em Curicica? Hahaha! Nossa, tenho que correr! Deixa eu desligar, então, que eu preciso me arrumar correndo. Obrigado, mais uma vez, Tati. Fico te devendo essa. Nos vemos, beijo. -- deu a descarga.

Então, finalmente ela tinha topado. Precisaria sair de Copacabana até o Projac, e provavelmente pegaria algum engarrafamento. Olhou o Uber, e estava dando cem reais. Caríssimo. Entrou no banho. Viu Zeca pelo basculhante e fez uma cara horrível.

-- Zeca, acelera aí, que eu preciso tomar banho também e quero água quente! O bombeiro só vem semana que vem. Vou ter que ir no Projac, mas na volta a gente conversa.

Zeca saiu do banho e voltou para o quarto. Pega o telefone e manda mensagem para Gominho. "Oi, amigo! Acordei aqui. Passo aí para a gente conversar melhor?" Gominho estava com o celular na mão e respondeu logo. "Vem, sim. Mas já traz dinheiro. Vamos ter que ir a São Paulo. Parece que vai haver uma palestra na USP sobre a máquina do tempo com os cientistas da Califórnia. A conferência começa em dois dias. Já faz logo uma malinha e vem."

Paula sai do banho, se arruma e pede o carro. Com as contas bloqueadas, prefere pagar no dinheiro. A carteira só tinha 70 reais. Vai até o armário, sobe na madeirinha do armário embutido e puxa o cofre. Duas giradas para lá, mais três para cá. Pega uma graninha. Ao lado do bolinho de notas de cem reais, estão os seus último bolinhos de dólares, algumas de suas jóias (umas de família e outras da época em que tinha grana), um monte de coisa e, entre elas, a carta que escrevera junto com Caetano para entregar a Zeca na hora certa, que estava chegando, pelo andar da carruagem. Fecha o cofre, mas não gira as roletinhas e deixa a porta do armário aberta, na pressa.


Liberdade Craniana

Quero esboçar aqui uma definição diferente para o termo opinião pública, que imagino ser útil para um melhor entendimento da concepção corrente do termo. Opinião pública, segundo a definição que quero dar, seria a opinião que um sujeito se sente livre para proferir em público. Seria a sua opinião, só que pública. Não é incomum vermos, em nossas casas, diálogos que jamais transferiríamos para a esfera pública, e isso não parece ser uma prática que avilte tanto assim a nossa dignidade. Aliás, muito do que sentimos interiormente não tem espaço para uma transliteração inegociada, mesmo em nossas casas, ainda mais se dividimos nossos lares com pessoas diferentes, incorrendo aí até em relações de hierarquia de todo tipo. As permissões, às vezes, autorizam apenas certas manifestações marginais dos sentimentos mais íntimos, devendo ficar na beira das importâncias maiores. Algum toque de sua verdade estará inscrito na verdade geral, como forma de uma negociação afetiva. Posso gostar de algo que não é permitido, mas posso tornar o que é permitido mais próximo daquilo que eu gostaria que fosse, e essa relação é tanto mais transformadora dos sentimentos íntimos idos a público quanto menor é o poder de influência sobre o poder central.

Na formação brasileira, vemos bem esse fenômeno, e Gilberto Freyre já havia percebido. Ora, não é ele quem diz que as manifestações culturais dos povos africanos e indígenas se percebem em instâncias "inferiores", digo, gestuais do nosso patrimônio cultural? Estão na culinária, no sotaque, no jeito como nos relacionamos, mas nunca naquilo que representaria a opinião íntima dos sujeitos que traziam vivas essas tradições em sua interioridade subjetiva. Isso teria sido amortecido e negociado. Além do mais, o Brasil é cheio desse tipo de barganha comesinha, sendo o nosso país famoso por sua capacidade de divertir seus nacionais. Em troca do respeito à norma, à vontade soberana, permitem-nos aliviar o peso do indizível no deleite das nossas vontades mais fisiológicas. Transferimos a nossa intimidade para o gesto. Essa, é bem verdade, foi uma "solução" acomodatícia interessante da nossa formação cultural.

Penso agora em outro contexto em que essa negociação ocorreu, e não sei em que medida posso estabelecer comparações de efeito. Na URSS tardia, a vida pública era bem mais presente do que estamos acostumados aqui no Brasil — mesmo levando-se em consideração a estruturação econômica de uma família brasileira. A intimidade familiar, embora hierarquize a publicidade do dizível na sala, ainda é um anteparo à vida pública. Na URSS, até que todos tivessem apartamentos individuais, as habitações eram coletivíssimas. O espaço para a individualidade era quase craniano, o que exigia graus de confiança elevados para o compartilhamento da intimidade. As implicações políticas disso devem ser fortíssimas, e eu digo isso sabendo do grau de radicalidade da rebeldia permitida nos círculos artísticos da cena não-oficial. Tornar público o que faziam juntos era praticamente uma impossibilidade, e não é à toa que o mundo soviético fosse conhecido pelo double-thinking

Mas há algo de interessante na sociedade soviética, que era o fato de que, a certa altura, quase todos tinham a sua própria casa, o que ampliava o espaço craniano concentricamente, diferente da organização familiar brasileira.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Queria falar mais um pouco sobre o meu rompimento com o meu psicanalista e sobre a minha espécie de relação com o Groys. Parece que não ficou tudo tão bem resolvido assim. Mas tem um aspecto das nossas últimas sessões que é de interesse nosso aqui no blog, eu acho. Refiro-me ao joguinho final que realizamos para entendermos o que era exatamente o que eu queria. Vou tentar explicar mais ou menos.
 
Eu estava super empenhado na minha candidatura para o doutorado com o Groys, mas, por orientação de uma funcionária do EducationUSA, procurei mais uma opção, pelo menos. Groys também tinha parado de me responder por volta de setembro, quando eu pedi a ele um PDF de um livro que ele me havia recomendado, mas que era muito caro (ele era, normalmente, rápido nas respostas e atencioso — chegou a ler um ensaio meu de 15 páginas, que dialogava profundamente com sua pesquisa e ainda teceu elogios e recomendações, além de me convidar para as suas aulas na NYU). Havia um curso que ele ministraria junto à ECO/UFRJ, e eu me inscrevi. Fui aceito, e minha chama reacendeu. Por causa do curso, soube, a certa altura, que ele estava bem doente, porque foi preciso adiar o início do curso. Eis que, no sábado, dia 19 de outubro de 2024, de manhã, recebi um e-mail da E-Flux — que estava organizando o curso — com um monte de textos em PDF. O e-mail parecia escrito por ele. Aquilo parecia um presente dele, porque... 19 de outubro é meu aniversário, e eu tinha pedido arquivos de PDF no último e-mail que eu escrevi! Senti-me pessoalmente tocado por isso, principalmente porque ele é alguém que fuxica as redes sociais dos outros, como frequentemente comentava, em suas aparições, sobre a caracterização pessoal que todos fazem de si nas redes. Senti-me escolhido, contemplado; retornou a minha esperança. Futuramente, soube que ele ficou muito doente, o curso não aconteceu nunca, e eu achei aquele gesto algo de uma grandeza enorme. Ele acordou de um coma e lembrou de mim? Ou eu estava louco, ou eu era o escolhido brasileiro pelo cosmismo.

Enfim, retornando à questão com o psicanalista, eu estava com ele nesse embate sobre o que eu realmente queria. A segunda opção também era em NY, na Columbia, um PhD em História da Arte. Entrei em contato com Alexander Alberro. Ele foi até eloquente no e-mail, mas, hoje, vejo que foi protocolar. Eu não sabia o que estudar com ele. Eu queria mesmo era o Groys, mas estava com dificuldade para decidir. Meu orientador, no Brasil, achava que ele era um representante do stalinismo, e eu sentia que suas opiniões eram "não concordo com isso, acho esse pensamento violento"; algo do tipo. Eu estava precisando me afirmar com mais força. Paralelamente, eu questionava a posição do meu psicanalista em relação à minha própria vontade, que parecia ser a de alguém que me interrogava permanentemente se meus gostos eram meus mesmo (ele também tinha alguma ressalva a qualquer coisa que eu falasse de marxismo). Nesse embate, rememorei uma imagem que eu queria criar, e que ele reprimiu fortemente, quando eu surgi com a ideia. Era a ideia de pintar um bigode de Hitler na foto do Chico Buarque sério, naquela capa de disco clássica em que ele aparece sorrindo e sério, na capa e na contracapa. Quando falei isso pela primeira vez, vivíamos a plena ascensão do bolsonarismo, não lembro bem a data, mas foi antes da pandemia, com certeza. Pelo medo que ele me transmitiu, reprimi esse impulso. Vale lembrar que meu psicanalista era pintor também. Ronaldo Miranda. Agora, em 2024, eu quis relançar essa discussão. Fui instado por ele a realizar a obra. Fui a uma loja de revelação de fotos e fiz uma versão 3x4 das fotos e desenhei um bigode de Hitler no Chico. Coloquei as duas fotos naquele estojinho de 3x4, e estava feita a obra. Dei a ele uma de presente, que ele colocou na estante, virada para o divã (para mim), de modo que eu a olhava em todas as sessões.

Objeto Abjeto

Eu estava em dúvida. Ou Columbia História da Arte ou NYU com o filósofo que eu mais admirava na vida. O ambiente em que eu estava vivendo à época parecia me questionar muito sobre as minhas opções stalinistas, cosmistas, marxistas, extensão do meu pai. Mas o Groys também foi expulso da URSS. Ele divulgou o trabalho dos artistas críticos ao regime. Ele divulgou Komar e Melamid. E ele entenderia o meu gesto; tenho certeza absoluta. Como eu estava em dúvida, Ronaldo começou o joguinho. Primeiro, me questionava, em um cinismo quase explicitamente forçado, se eu acreditava mesmo naquilo que eu escrevia sobre conquista do cosmo, rejuvenescimento e imortalidade. Ao mesmo tempo, ele debochava da Columbia e falava das vantagens de morar no sul de Manhattan. E as sessões eram realizadas ora com o Chico escondido por trás de algum porta-retratos, ora aparecendo, tanto que eu comecei a pedir para deixar a peça evidente, tornando-o objeto de uma discussão, entre muitas outras. A conclusão a que cheguei era de que aquilo era o que eu mais gostava: uma arte agressiva mesmo, os punks de Moscou, em última análise; o cosmismo russo; a ironia extrema; o desdém por qualquer tipo de monopólio cultural; a reflexão materialista sobre a psyché humana — e, o mais importante, a minha identidade como artista.

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Recentemente, incluí o meu pai no meu folhetim, como alguém que me ajuda. Depois de muito refletir, continuo na dúvida se isso não é capitular à sua personalidade narcisista, que tenta me cooptar, ou se isso é resultado daquilo que Giddens chama de transformação da intimidade, um fenômeno que ele observa na modernidade, tributário da crescente influência das instituições na vida das pessoas, sob a forma de uma perícia ontológica. Cheguei à conclusão de que ele me ajudará até certo ponto, quando a narrativa terá uma mudança de rumo e adotará uma postura mais claramente cosmista e pós-cosmista. Me pareceu uma solução boa, porque, assim, eu consigo superar o fato marxista da minha personalidade, adicionando uma camada suplementar, a camada cosmista e sua deriva. É também uma solução que dialoga com o meu escolhidismo, uma vez que, com o dono da editora Revan, senti também um certo peso de ser o último emissário da mensagem marxista verdadeira para o mundo: tornei-me uma espécie de divulgador de Domenico Losurdo e porta-voz da reencenação dos momentos culminantes das agitações pré-revolucionárias. Foi essa a missão que eu vim cumprir até hoje, a menos que eu consiga que não seja. Aliás, foi essa missão que me fez ler o cosmismo como extensão do marxismo e como sua incrementação, trazendo uma promessa maior (na verdade, correspondente àquela do suprematismo e das vanguardas futuristas no momento da estimulação revolucionária do início do século XX). Meus rumos pessoais e meus arroubos chineses não passam de um resultado disso, uma negociação comigo mesmo, com o passado, com os mortos e com o futuro. Ou então eu seria apenas o Hélio Oiticica, ou pior: um astro do pop. Quem me dera essa liberdade! Escolhi, por mim mesmo, a missão histórica de redimir a geometria!

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Junto com tudo isso, vejo-me querendo pensar contra tudo isso, em um momento em que deveria buscar alianças fora do país (eu acho). Se eu for continuar esse doutorado... Devo buscar um período fora do país? Eu gostaria de alguma luz. Não sei mesmo. A ideia de estudar com a Keti Chukhrov me apavora um pouco, porque estou falando contra o que ela defende em sua principal teoria, apesar de falarmos meio que a mesma coisa. E se ela for super aberta? E se ela for totalmente irônica em seu gesto? E se eu fosse para a China? Para o Japão? Penso se eu não deveria ficar por aqui mesmo e tentar a minha carreira de artista mesmo, e então volto a pensar na função do doutorado na minha arte. 

Uma amiga me mandou uma proposta recentemente, porque não estou satisfeito com a minha situação financeira. A proposta é uma chamada geral para um emprego de "assistente sênior", algo assim, no ateliê da Laura Lima. Recebi por Whatsapp uma mensagem meio formalizada, convidando os possíveis candidatos a enviarem seus currículos. Vou mandar meu CV. A proposta me interessou bastante, apesar de eu não parecer competente para as habilidades específicas exigidas pelo trabalho. O salário também não foi informado, o que me deixou meio assustado. Na verdade, fiquei mais interessado em me aproximar dela para mostrar meu trabalho. Cheguei a pensar que eu poderia ser representado pela Gentil, ainda que talvez seja uma loucura. Mas realmente não sei que galeria poderia me representar. Encontrei uns amigos na semana passada que me convidaram para uma abertura na nova galeria Zoio, em Santa Teresa. Meio longe, mas o artista era tão gente boa, que resolvi que vou lá qualquer dia. Talvez eu pudesse fazer uma exposição lá. Eles se dizem abertos a artistas que precisam começar a expor. A ideia soou afinada, mas ainda teria de pensar em um formato. Queria também colocar algo no Calma Bar, mas ainda não sei direito. Acho que vou ter que fazer uma versão soft para uso público. Também estou pensando em fazer uma leitura encenada do meu folhetim, com meu namorado (que é ator), na casa de um amigo, para outros amigos, entre eles um curador do Guggenheim, que já leu coisas minhas e me pareceu interessado nas coisas que faço. Não sei se ele sabe que eu tenho um trabalho de arte conceitual ou se me vê como um escritor.

Também tenho ido à biblioteca do MAM. Conheci a responsável pelo arquivo. Fui apresentado a ela pela diretora do MAM, a quem, por sua vez, fui apresentado por um professor da faculdade. Busco um emprego lá. Ela disse que em março teria algo, mas já passamos de março há algum tempo. Já perguntei a ela, e parece que não há nada ainda. Penso em perguntar de novo e, de repente, pedir para ela falar com a diretora do MAM, para ver se ela me redireciona para algum lugar. Não sei. Estou meio perdido lá. Eles querem levantar o arquivo, para o que me dispus a ajudar. Mostrei minha ópera de bolso à responsável pelo arquivo. Ela reagiu como quem gostou ou entendeu. E achei que gostou de mim também. Queria que ela criasse uma pasta com o meu nome no arquivo do MAM. Queria também mostrar para ela e para os funcionários da biblioteca o meu folhetim. Acho que vou imprimir e ir lá semanalmente. Estou de olho em cursos do MAM, nas residências de lá. Quero fazer um lá em julho, mas a residência... não sei se consigo. Não sei se tento residências fora ou se devo ficar por aqui, agindo aqui. Quero fazer uma exposição, mas não sei quem pode me ajudar de fato a fazer isso. Queria ajuda e conselhos. Alguma luz. Sobre a carreira, sobre a universidade, sobre o doutorado, sobre um sanduíche-íche rs. Mas tudo é tão sem grana...

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Sobre o meu marxismo, hoje me peguei pensando se o conceito de posicionalidade não é um desdobramento do entendimento de classe social no sentido do materialismo DO HOMEM. Pensei também sobre esse conceito como uma espécie de garantidor de uma ação epifenomenal. Seria isso mesmo? Em que seríamos capazes de agir por nós mesmos? Acho que essa questão da autonomia da posição tem me feito refletir. Estou vendo como é difícil produzir uma onda e como ela é consequência de muitas coisas operando em conjunto. Mas a inércia das partes às vezes pede uma ação do indivíduo, que rearticula as partes. E às vezes algo que tinha que vir acaba vindo, e nós somos apenas fantoches do teatro da história e depois vamos todos morrer. Contra isso, revelou-se o cosmismo! E, contra ele, o escárnio. E, contra o escárnio, ele. E eu estou exausto. E a minha vontade mesmo é de ser só artista.