Queria, mais que tudo, saber qual o valor do questionamento, se devemos ou não incitar a dúvida, se devemos dar valor às nossas incertezas, se devemos nos apoiar em algo que se compõe de negação. Penso, então, em como sempre foi desenvolvida o conceito de Verdade. Nos foi possível estabelecer o que é verdade quando nos foi possível negar o que nos era tátil. Vimos a morte, e entendemos nela a total negação da vida. Vimos então a possibilidade do não. Passamos a negar o não mais veementemente que tudo, criamos religiões, crenças, até a ciência se encarregou de negar a negação. Acreditamos que por negarmos o negativo, como que matematicamente, alcançaríamos o sim. Doce ilusão. Apenas negamos o que já era negativo, tornamo-lo duas vezes falso. Mas aquilo nos fazia sentido, aquilo nos era verdadeiro, fora aquilo que nos trouxe a metafísica, a linguagem, a arte. E aquilo que gerou tudo o que somos. E é aquilo que se entende por Verdade. Verdade então é tudo aquilo que negamos duas vezes. É tudo aquilo que cremos ser certo para não nos frustrarmos com o que vemos, que já nos mostra ser real. Verdade é mistificar, é teorizar, é concluir quando só nos é possível observar. Verdade é cogitar, é possibilidade. Verdade, além de tudo, é crer que aquilo que se nega é verdadeiro. E, crendo que é verdadeiro, sustenta-se a verdade como total; damos valor a nossa perspectiva. E aquilo só será uma possível verdade, se for válido, ou seja, de valor aceitável para o fim que propõe ter para todos, para o público. Verdade e Valor caminham mais juntos do que a Santíssima Trindade.
domingo, 30 de setembro de 2007
soluções, o mais velho novo produto
Solução para tudo na vida: dionisiar tudo o que se entende como apolíneo, ou seja, tornar prazeroso aquilo que se diz racional, ou seja, não distinguir obrigação de esbórnia, ou seja, não distinguir trabalho de casa, ou seja, relaxar pensando e relaxar pensando.
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
O valor do valor
Ai, o nada! Poucos crêem no quão nada somos para universo, para o tempo, para nossas escolhas, para a formação de nós mesmos, para o controle de nossas ações. Antes que pudéssemos existir, existiam elementos, que, graças à existência deles – e somente por isso –, deram origem a novos elementos. E depois a mais elementos, até que surgiu o Universo, e as estrelas e as galáxias, e o Sol e todo o seu sistema, e nela a Terra, e em seguida transformações não pararam de acontecer na Terra, que deram condições para a existência de muitas outras coisas, inclusive nós, humanos. O que quero evidenciar é a dependência obrigatória que esses elementos todos têm entre si: um pertence ao outro e só poderia existir se o elemento que lhe possibilitou origem existisse primeiro, dando, assim, condição para que alguma coisa surja e, a partir disso, o elemento que propiciou a criação passa a ser uma condicionante para o criado.
Porém, a simples condição de existir, de qualquer coisa que seja, define também como aquilo pode existir, e tudo o que aquilo pode ser naquelas condições, que podem mudar acabar com o aquilo ou transformá-lo em algum outro aquilo. E nós, humanos, pudemos surgir dessa mesma maneira, era-se alguma outra coisa e agora, por transformações do condicionante, tornamo-nos humanos, seres que julgam escolher suas metas, modificar a ordem das coisas, imprimir valor naquilo que faz e naquilo que optou ser. Mas é tudo bobagem! Desde que nascemos já somos reféns das condicionantes, que vão me mostrar e participar de todos os nossos caminhos. Todas as nossas escolhas são fruto de pensamentos de um ser que só foi possível existir graças às condicionantes, que determinam todos os fatos que vão ser de nosso alcance o controle de seu desenrolar. O mundo condiciona as decisões que tomamos quando é ele que define que fatos nós vamos passar por desde o momento em que nascemos. E só temos a noção de que poderíamos nascer ou ser em outras situações quando nos é possível ver que não escolhemos o que somos nem o que fazemos. Então, imaginamos situações hipotéticas de acontecimentos e, às vezes, as tentamos botar em prática e, se as botarmos, será uma ilusão de que fazemos o que queremos. Teremos feito o que as condicionantes nos fizeram pensar em fazer, pois pensamos através de experiências.
Ao vermos nossa não escolha perante nós, percebemos inconscientemente o nosso não-valor, e o não-valor de tudo, e passamos a imprimir valores naquilo que participamos. O homem é impressão de valor.
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
Saindo para a diversão
Estava lá, sentada, minhas amigas tinham ido dançar, estavam no pique extraordinário do ébrio, perguntaram-me se não queria ir com elas, já tínhamos fumado alguns rets, bebido um pouco, era hora de dançar, de rir, de sorrir, não de pensar. E eu pensava. Pensava na solidão que eu sentia. Sentia por não querer estar lá, dançando com as meninas, nem me pegando com alguém, nem em casa sozinha em frente ao computador. Saí para ficar sozinha, pensando nos outros que eu via naquela boate, pensando em mim vendo os outros. Mas não me sentia realmente sozinha, senti que meu sentimento de solidão era falso, que não podia me sentir só, que injustiça, eu tinha família, mãe, pai, irmãos, tinha comida, meu pai pagava minha faculdade, tinha amigas – que estavam comigo há 2 minutos atrás –, tinha meu drink na mão, assim como meu cigarro, já tinha tido namorado, tinha a companhia dos meus livros, da música, até da sociedade, que me beneficiava por eu ser classe-média alta. Eu era realmente muito egoísta por me sentir sozinha, mas era assim como me sentia. Me sentia à parte de tudo, das minhas amigas, das pessoas que dançavam freneticamente na boate, dos meus quase-amigos com quem eu não tinha assunto e estavam ali do outro lado do sofá sentados enfileirados olhando para frente, fumando um solitariamente uns com os outros. Eles pareciam todos muito sozinhos, como eu, à parte de tudo, pensando cada um em seu mundo, em sua vida, sem conversar, sem dançar, somente olhando para frente e rolando e tragando o beck. Foi quando um deles viu que eu olhava e me chamou:
- Ei, Cela, senta aqui com a gente!
Não sei se queria sentar ao lado deles, já estava muito chapada e iriam me oferecer o ret para me integrarem e eu já estava mega-chapada e não queria conversar com eles e não teria o que conversar com eles e:
- Não obrigada – rejeitei o baseado e continuei ali, ao lado de quem me ofereceu, como um deles que não conversavam, sozinhos, olhando para frente, pensando sobre qualquer coisa, inclusive sobre a situação pela qual eu passava.
Me sentia agora ilegitimamente sozinha. Ao lado de outros sozinhos não era solidão. Mas ao mesmo tempo era uma puta de uma solidão. Não era amiga desses sozinhos, não era não-amiga deles. Era a única que estava sozinha naquela situação, entre eles. E pensava em algo realmente sozinho, a solidão. E como que imperceptivelmente, fui chegando um pouco para o lado, nada que fizesse com que percebessem minha distância, mas queria que fisicamente eu me sentisse distante deles, sozinhamente sozinha. De repente:
- Oi, gatinha, ta sozinha aí por quê? Esperando o príncipe encantado? Se for isso, cheguei! Qual seu nome? Me dá um beijo?
-Sai daqui! – desvencilhei-me dele gloriosamente e fui me direcionando para a pista, encontrar as meninas, e fui pensando que realmente estava sozinha e nada exterior poderia modificar isso, só constatar mais. “Ta sozinha por quê?” ecoava na minha mente. Mesmo estando ao lado de alguém, de pseudo-amigos, de sozinhos em grupo, eu estava sozinha e o mundo podia ver isso e agora eu chegava perto das meninas, ia contar o que aconteceu faticamente. Deixaria o subjetivismo solitário sozinho e mudaria de humor, contaria a elas o quão engraçado foi e ia ficar sozinha, no meu grupo de sozinhos, com quem eu poderia pensar sozinha sobre a solidão e humoradamente vivenciaria a wannabe cool noitada que prometia fatos engraçados e pensamentos sós.
domingo, 23 de setembro de 2007
Dançando Medievalmente
Pista de dança, quando cheia, o que menos me parece é que ela tenha sido feita para dançar – parece mais a Europa Ocidental durante a Idade Média. São vários povos, muito próximos uns aos outros, uns menores outros piores, com suas características culturais próprias e sempre excluindo culturas externas e por isso com vontade de espaço, para dançar no caso.
Todos têm a mesma religião: a Igreja da Luxúria, do Pecado e da Insegurança. Ficam doutrinados pela Santa Madre Igreja da Perdição e, como que com a culpa que os medievais sentiam em pecar, culpam-se por não conseguirem pecar. E querem pecar, nem que seja só para que vejam que está pecando.
Há também os fluxos migratórios e as diásporas, além das cruzadas. Sempre há povos que migram para outros lugares, em busca de espaço para existirem
Sucesso
Todos os que escrevem o fazem como eu o faço, sobre a mesma coisa que eu, pensando, envolto numa onda de experiências diferentes, exatamente como penso. Há a inconformidade nas linhas de todos, há questionamentos sobre o que se pensa, há o que se pensa, há, de toda forma, a expressão da vida de cada um em sua escrita. O que faço não é arte, é desabafo, é tentativa de mostrar para mim mesmo como me sinto, tento entender-me melhor ao ler o que escrevo, deixo passar nos meus papéis traços que não sou capaz de falar, nem de pensar quando me analiso.
Ao som de uma música nova no silêncio musicado do meu quarto, escrevo nada além das expectativas artísticas que se tem em mim: não há expectativa. Se o que faço for lido e for aplaudido, me sentirei fruto de uma injustiça poética, em que muitos têm o que tenho, mas por questões sociológicas, arbitrárias, ou não, estaria lá, no mais alto patamar do reconhecimento que uma pessoa pode ter pelo que sente e pelo que exprime.
Nunca consigo encontrar um fim confortante no que escrevo, tenho que parar com isso.
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
maria took me by the arm, and started to run, and told me we're late for classes.
and i forgot about dreams, souls, and about the two uncounscious hollow bodies that would fit better together...
; se eu soubesse escrever roteiro, teria feito disso uma cena - como eu imaginei. a lil' bit like leland.
meu inglês está muitíssimo arranhado, e am... acho que essas são todas as considerações finais.
