terça-feira, 19 de abril de 2011

tunico ribeiro odeia a sua empregada crente boazinha.
existe uma crença de que todos podem vir a ter tudo, ou devem poder ter tudo, essa onda de igualdade que faz todos agirem e pularem por qualquer que não tenham - e querem ter. Da igualdade legitimada, sobe a possibilidade e o direito de se falar das vontades: esse é o ponto de vista de quem não tem, querendo. Da igualdade legitimada, jorra a inveja da palavra dos que não tem o que querem: esse é o ponto de vista do que tem o que querem.

terça-feira, 5 de abril de 2011

o perigo de ganhar dinheiro é tornar-se lastimavelmente moralizador
a materialidade alcançada com o dinheiro pode refletir um acerto
mas isso só se aplica a quem acha isso
porque outros, em geral os que já tem algum há algum tempo,
(mas muitos outros tipos também)
talvez sintam que necessidades moralistas devam ser superadas

domingo, 27 de março de 2011

não pode haver quem ache a vida tranquila
eu odeio todas aquelas pessoas que têm muito dinheiro
eu invejo elas
espero que nenhuma dessas pessoas possa ler isso
porque eu quero ser rico
no fundo, acho que é isso
todo mundo
categoricamente
quer ser rico
e eu também
categoricamente
está complicado demais
viver sem muito dinheiro
(sem muita fama e
sem muito sucesso também)

sexta-feira, 25 de março de 2011

"o afeto e o compromisso
se relacionam
se se relaciona
a relação de afeto
com um compromisso
a boa é o laissez faire:
essa é a idéia do progresso
e da liberdade
no campo amoroso
mas os conservadores
olhando por baixo
querem o que querem
e podem preferir a corrente
o conflito
a monogamia
à perpetuação do affair
enquanto affair"

isso é moderno

domingo, 20 de março de 2011

o lado bom-e-ruim de ser colônia

se ninguém de diferente tivesse chegado
nada teria mudado

quinta-feira, 17 de março de 2011

menos os silva

o orgulho de um sobrenome vem com o tempo, eu sei, entre os brasileiros, porque todos odeiam tanto tudo o que é, porque eles não são ninguém, e aí fica difícil ser alguém, mas de repente todo mundo age que nem carioca, acha que é alguém, e põem, lá, seu sobrenome, lembram do seu pai, de algum bar, e sorriem, talvez sinceramente, sob o sol tropical, como se isso fosse essencialmente bom