Tem coisas que são mesmo como são,
não basta um não,
um momento de devaneio,
muito menos uma pisada no freio.
E os ouvidos e as bocas,
os vãos e os vens das figuras loucas,
decifram, concebem, emitem:
males na vida simplesmente existem.
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quarta-feira, 6 de agosto de 2008
segunda-feira, 28 de julho de 2008
domingo, 27 de julho de 2008
Retrospectiva Psicológica
- Outros humanos,
agindo perversos e insanos,
que me fizeram cometer o ledo engano,
de querer me juntar a vocês!
Em menos de um ano,
pensava tanto, mas tanto,
que uma vez caminhando,
afirmou-se Nietzscheano de vez.
E o tempo passava,
e nada ele aproveitava,
de dia dormia, de noite acordava,
até que foi pedir ajuda.
Era Freud quem procurava,
que em suas idéias se materializava,
que com seu método, diziam, salvava.
Mas será mesmo que alguma coisa muda?
Ele se prometia.
agindo perversos e insanos,
que me fizeram cometer o ledo engano,
de querer me juntar a vocês!
Em menos de um ano,
pensava tanto, mas tanto,
que uma vez caminhando,
afirmou-se Nietzscheano de vez.
E o tempo passava,
e nada ele aproveitava,
de dia dormia, de noite acordava,
até que foi pedir ajuda.
Era Freud quem procurava,
que em suas idéias se materializava,
que com seu método, diziam, salvava.
Mas será mesmo que alguma coisa muda?
Ele se prometia.
Era engraçado como às vezes se isolava. Não era por nada, especificamente, mas gostava de se sentir sozinho no mundo, ele mesmo, sem pai nem mãe, com apenas poucos amigos. E nesses momentos, tinha uma capacidade extrema, ele achava, de escrevder coisas que ele gostava de escrever, de citar momentos marcantes, personalidades marcantes.
De uma hora pra outra, contudo, trocava de vontade, invariavelmente. Queria encontrar todos, queria saber o que fazem, queria fazer o que fazem. Não via mais a sua escrita como algo fidedigno, não via nada no que escrevia, apenas um ranço mal-resolvido de coisas que ele ainda não tinha descoberto na análise. E tinha outra questão, que ainda era na mesma questão, achava que poderiam entender seus textos como fragmentos pedantes, preconceituosos e fora de moda. Corria atrás de fazer o que a qualidade de vida que tinha permitia e exigia que fizesse e não via sentido em nada. Aí voltava a isolar-se, onde também não via sentido. Por fim, acabou sofrendo de despersonificação e, para ele, ele não era mais ele, ele era alguém que não estava aí. Ele, ele mesmo, quem ele sentia que era, não existia.
segunda-feira, 21 de julho de 2008
num piscar de olhos
Cerro a pestana.
Conto mais uma semana
que eu levo essa vida leviana.
E isso está sendo um drama!
Rolo à noite na cama,
procuro quem não me ama,
não atendo quando o telefone chama,
enquanto não desatolo da lama!
Conto mais uma semana
que eu levo essa vida leviana.
E isso está sendo um drama!
Rolo à noite na cama,
procuro quem não me ama,
não atendo quando o telefone chama,
enquanto não desatolo da lama!
domingo, 20 de julho de 2008
Ciclo sem fim
Enclausurado no quarto,
avesso à luz do sol,
mergulho em mim de vez.
Vai ser um parto
praticar anti-infartos:
sair pra rua, ser feliz, fazer um esporte,
esquecer um pouco a má sorte.
Mas de mim não falta querer.
É só virar o mês
que me sinto sob o feixe de um farol,
inspirado,
apoderado da razão progressivamente mais forte,
de que devo tudo inverter -
ou nem me mexer.
avesso à luz do sol,
mergulho em mim de vez.
Vai ser um parto
praticar anti-infartos:
sair pra rua, ser feliz, fazer um esporte,
esquecer um pouco a má sorte.
Mas de mim não falta querer.
É só virar o mês
que me sinto sob o feixe de um farol,
inspirado,
apoderado da razão progressivamente mais forte,
de que devo tudo inverter -
ou nem me mexer.
sábado, 19 de julho de 2008
Sem nenhuma expectativa boa, sem nenhum componente atrativo, surge a opção. Não é a melhor opção, mas talvez a única, talvez a mesma de sempre, o fato é que era uma alternativa infalível. Depois de ilusões nutridas em outros carnavais, de cantadas bem dadas, a frustração, que acaba remetendo à volta à certeza. E voltei.
Caminhando, descendo a ladeira da minha rua, indo, não fumando o cigarro que estaria, se não tivesse deixado o tabagismo, fico não sei se pensando ou se anseando por algo que nem é tão verdadeiro, que nem é tão necessário, que não é realmente o que eu quero, mas eu vou, vou ficar esperando no ponto, olhando todos os carros que vêm daquela curva, esperando, com uma ansiedade, com uma vontade que não é minha, paliativo. E vai tudo passar, o carro vai passar e parar, vou entrar, tudo vai desembocar no que sempre se desemboca e, no retorno, eu vou calar, pra frente voltar a olhar e esperar a encostada do carro na entrada para carga e descarga do prédio da frente, onde sempre me deixam, onde sempre fico depois de receber uma carona de quem não pode ou não quer contornar a praça e me deixar na porta de casa.
Aí eu salto, sem dar o último tchauzinho de quem olha para trás sorrindo, atravesso a rua, que a essa hora está vazia mesmo, não precisaria nem olhar, mas olhei - e não vinha mesmo nenhum carro -, pensando em entrar no banho, fazer o que tiver que fazer para dormir tranqüilo e só me lembrar do meu sonho quando acordar no dia seguinte, com a cara amassada e a consciência pesada, dizendo "bom dia, mãe" ao dentar o meu pão de forma.
quinta-feira, 17 de julho de 2008
mesmo que esta não seja a melhor das minas.
Não deixo de remexer
nem de farejar torturado
por um distinto punhado,
nesse líquido misturado,
desta preciosidade maldita - o prazer.
E ele vem aguado:
em cada quantidade a colher
é preciso paciente entender
que há pouco, muito pouco - de doer!
dessa satisfação no fluído retirado.
Vou repetindo, repetindo,
sem ter como parar:
colho mais e mais, mecânico e banal,
acreditando - há de chegar uma hora,
que de tanto que o passei extraindo,
que nem mais consiga piscar
e, confiante no acúmulo total,
não queira mais da mina ir embora.
nem de farejar torturado
por um distinto punhado,
nesse líquido misturado,
desta preciosidade maldita - o prazer.
E ele vem aguado:
em cada quantidade a colher
é preciso paciente entender
que há pouco, muito pouco - de doer!
dessa satisfação no fluído retirado.
Vou repetindo, repetindo,
sem ter como parar:
colho mais e mais, mecânico e banal,
acreditando - há de chegar uma hora,
que de tanto que o passei extraindo,
que nem mais consiga piscar
e, confiante no acúmulo total,
não queira mais da mina ir embora.
terça-feira, 15 de julho de 2008
as coisas sendo elas mesmas
Entre uma apitada e outra do seu Nextel, enquanto falava com sua mãe, que lhe lembrava de afazeres importantes, ele comentou com os amigos que estavam ao seu redor:
- Porra, que saco, ela sempre me liga pra ficar me lembrando das coisas que eu tenho que fazer.
- Ah, mas isso é bom - respondeu um dos amigos - pelo menos você lembra do que tiver que fazer.
- Mas o problema não é esse, cara - interrompeu-o - a parada é que isso é uma demonstração de que ela está pensando em mim, nas minhas coisas, que ela está de certa forma vivendo por ou para mim, sei lá!
- É cara, mas é porque ela passou muito tempo da vida dela cuidando de você, é hábito, vício, sei lá! - falou um outro.
- Não importa, eu não pedi pra nascer - era o seu bordão -, ela deveria saber que não deveria fazer isso, ela já foi jovem, já sofreu com os pais dela, ela sabe que o melhor para que eu não me irrite com ela é ela me deixar viver minha vida!
- É, mas é dificil... - concordaram dois deles.
E era isso, não era?
sábado, 12 de julho de 2008
voltando sozinho
Se anseio
sem devaneio,
das extremidades,
o meio,
não reluto,
em não ficar puto,
com as adversidades
desse luto.
Se há em produto,
se me rende algum fruto,
se traz tenacidade,
vá lá, eu escuto.
Mas com o pé no freio,
eu confesso, arreio,
engulo seco frialdade
e pra sul me norteio.
sem devaneio,
das extremidades,
o meio,
não reluto,
em não ficar puto,
com as adversidades
desse luto.
Se há em produto,
se me rende algum fruto,
se traz tenacidade,
vá lá, eu escuto.
Mas com o pé no freio,
eu confesso, arreio,
engulo seco frialdade
e pra sul me norteio.
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