sexta-feira, 11 de abril de 2008

Malditos árcades-modernos-clássicos da contemporaneidade

O fruto do meu vizinho é com certeza absoluta melhor que o meu. E eu me dou o direito de dizer isso porque o sinto assim. Vejo nas suas fotos aquele tom claro, de luz, um tom árcade em tudo, ao mesmo tempo que vejo a libertinagem irônica do modernismo. Não excluindo, é claro, a acalentadora tradição neo-clássica. Isso me irrita muito. Maldito orkut.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Um borrão insone

Cansado, um bagaço, em frente a um computador, não pára de procurar obrigações um pouco mais interessantes que aquelas que te deixam acordado esperando um pouco mais para só depois começar a fazê-la. Põe a desculpa de um projeto de vida, ou de um segundo compromisso adquirido, talvez inconscientemente para se desligar um pouco do que o deixa cansar mais. Pesquisou bastante, adiou bastante, a vista cansou, tudo passou a ser incerto, irreal, pesado; sua pálpebras pesavam muito, seu dedo, agora, não parava de bater e batia num bater tão leve que nem parecia ser alguma coisa que expressasse sentido. Mas pelo visto expressava, pois alguma coisa irreal para ele em sua mente dizia que estava fazendo sentido, que não importava se estava antes falando de cansaço e de razões do cansaço, e agora escrevendo sobre uma coisa aparentemente aleatória e desvinculada, apesar de ainda assim ligada a cansaço. É claro, estava cansado, um bagaço, moribundo, tudo sem peso algum mas tudo muito pesado, graças às malditas pálpabras que, como já disse, pesavam absurdamente. Não sabia mais diferenciar se tinha olheira ou não, se aquilo era um rosto apresentável, se estava sabendo o que estava fazendo, se lembrava-se de antes estar ficando maluco com tudo o que estava acontecendo, com todas aquelas cobranças sobre ele; sentia-se um trabalhador industrial na década de 20, sem nenhuma garantia trabalhista, mais de oito horas diárias, cansaço, cansaço, cansaço. Não morreu para acabar com a história, não desistiu para desestimular a leitura, apenas entubou. Ou melhor, estava tão cansado e tão atarefado que preferiu descansar um pouco mais digitando uma palhaçadinha do que tomar forças para mudar de direção as velas do barco. Estava tão cansado que ainda teria que se preparar para dormir - e isso cansava também -, e só faria isso depois de estudar. Cansado, um bagaço.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Sobre a Verdade

O encontro com a verdade sempre foi a máscara que cobria o rosto de todos aqueles que julgavam-se impelidos de expor seus lamentos, argumentos e insatisfações. Hoje, a intelectualidade - ou aquela que o ideal intelectual paira sobre - justamente se questiona de todas as concepções tidas como verdadeiras, quanto ao seu valor, quanto às aflições - ou sentimentos dela - vividas pelos seus autores e quanto à satisfação que essas verdades emitem. A lógica não é mais sinônimo de verdade, é agora apenas a estrutura fundamental para que tal pensamento seja possivelmente absoluto. A verdade, contudo, é fruto de uma escolha com objetivos de satisfação, como todas as escolhas democráticas e capitalistas-liberais: consenso de maioria em função de atenções pessoais - ou pelo menos com essas intenções expostas.

Mais um da série...

A ânsia sem foco,
sem descarrego,
sem sentido,
somente sensível.

Sentimento certamente inócuo.
Não lhe devo apego,
e me castigo.
Incompreensível.

Psicose

acho que surtei
ouço, asseguro-me
colocam-me onde estou
me distam dos seus...

piso no freio.
por que exigir o que não vai me suprir?
por que existir algo que reluza suprir?
infortúnio.

transpiro minhas transmissões.
transcendentais.
tais que sentem, sugam:
está no ar.

nada está comigo
(vento assoprando o trigo).
o tempo passa.
uns lá, outros também lá.

imito, prevarico,
evazo, maldito marasmo.
mergulho sem nada,
mas não falta ar.

tudo o que não falta é o ar.
respiro, sim; como, sim;
converso, sim; amo, sim;
armado? sim.

ainda espero o click,
em que faltará fôlego,
força e tudo respingará.
vou sentar pra esperar.

Pós-nascimento

Dúbia e simples malvadeza,
Não respeita, não avisa,
Não tem pena da presa.
Sequer há uma mulher calorosa
No papel de juíza.

Ardente, estridente conseqüência.
Irremediável e não se apresenta,
Só se sente como ineficiência
E a razão não entende e se complica;
O sujeito se esquenta.

Sem motivo, sem lógica, esquecido
Por reclamar que tudo não é oferecido.
Angustiado, mimado, empedernido,
Sabe de tudo isso mas a dor é um sentido.
Talvez por isso, sempre tenha mentido.

Correr cavar e me enterrar
Ou trabalhar, trabalhar e descansar.
Se pudesse mesmo, escolhia a primeira,
Mas a opção é induzida:
Você mesmo, sua aduaneira.

Pode vir, venha mesmo, está gostoso!
É muito bom que haja o bom, que haja o gozo!
Só isso faz valer a pena...
Entretanto, com o tempo ele envenena.
PQP! - deveria ter morrido no parto.

terça-feira, 1 de abril de 2008

ahn????

Gostam, não gostam?
Gastam, não gastam?
Sentem, não sentem?
Mentem, não mentem?

Pouco percebo a objetividade.
Dubiamente participo da realidade.
Não sei se quero amigos ou bengalas;
Se quero as pessoas ou penso em mudá-las.

Martírio da desfiguração.
Vômito, cuspe, um "coladão".
Coisinha tão pequena para mim,
Marquinhas de uma angústia em estopim.

Isso tudo é minha escrita,
Oque tenho além da vida,
O que vou deixar para todos da morte.
Preciso praticar um esporte.
(mamãe já dizia...)