inexequível
é toda a vontade que se tem de ser
são todas os entendimentos necessários à mudança
fazer com que quem deve entender o queira
para, assim, conseguir dizer tudo e compartilhar
o inexprimível
todo o pensamento complexo
toda a sensação de isolamento
tudo o que você quer falar e que os outros têm que entender
Mesmo em destaque,
a vida é feita só de dois mais dois é quatro
e também de indivíduos orgulhosos - todos já sabem de suas vidas
irracíveis quanto a antagonismos, paradoxos, verdades
portanto
se fazer entender pra fazer acontecer,
se não há silogismo super-ábil nem falácia extra-forte,
sua dedução magnífica
em palavras soltas e sentimentalismos pulverizados
ilegítimos
se transformará
porque ninguém vai falar por você
fazer te entenderem
ninguém estará na sua bolha
sua melancolia é sua
e eles não estão dispostos a entender sua arte para o mundo mudar
o mundo só muda quando o mundo é mundo
e não quando é eu e você
porque eu e você somos a arte de ter razão
cada um a sua
E eu só queria que você saísse
parasse de falar
fosse embora
me deixasse em paz
e você não fez
só pra ter razão
que eu sei
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Nocauteie-me
Inconfessas,
as discrições mal-expressas
envitrinam-me:
malícias
carícias
carisma
Minha sociabilidade anciolítica avança
convexa,
oca,
e, nesse vazio que a infla,
jaz desequilíbrio,
desjeito psíquico,
químico
(genético?)
E eu sei o por quê.
A vida é assim.
Através de olhos de vidro,
sob opaco estampido.
Minha bolha, não entram.
Isolado acusticamente para a minha música.
Meu baixo e meu violão dão o tom,
e à melancolia do violino me inclino,
em vão.
Ouço vozes ao longe,
como um chamar de atenção surdo,
abafado,
do chão.
as discrições mal-expressas
envitrinam-me:
malícias
carícias
carisma
Minha sociabilidade anciolítica avança
convexa,
oca,
e, nesse vazio que a infla,
jaz desequilíbrio,
desjeito psíquico,
químico
(genético?)
E eu sei o por quê.
A vida é assim.
Através de olhos de vidro,
sob opaco estampido.
Minha bolha, não entram.
Isolado acusticamente para a minha música.
Meu baixo e meu violão dão o tom,
e à melancolia do violino me inclino,
em vão.
Ouço vozes ao longe,
como um chamar de atenção surdo,
abafado,
do chão.
domingo, 26 de outubro de 2008
Polícia e Igreja
A polícia é como a igreja na idade média. Respalda e faz valer a vontade do livro das condutas. Travestem-se de portadoras e viabilizadoras da segurança - na sociedade cristã, segurança por moral e segurança de vida eterna, na sociedade contemporânea, garante a tranquilidade do consumo e a distância da morte tão voluptuosa quanto os hábitos dessa sociedade. A polícia se apresenta como portadora da ilusão em vida de um Estado Laico, que livraria-nos do estado de natureza hobbesiano em direção à liberdade, enquanto, na verdade, apenas garante o consumo e a propriedade, como a igreja garantia a legitimidade da nobreza e de seus poderes. São dois instrumentos de manutenção do estamento.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Vestibular
Muitas pessoas reunidas, semblantes diferenciados, o mesmo propósito os fazia estar lá. Eu foco em uma pessoa, que não tem foco. Eu foco nessa pessoa que argumenta ferozmente sua vaguinha no topo da pirâmide social, nessa pessoa diminuída pela posição que assume nessa estrutura: naturalmente inferiorizada. Mas há o que sustente suas argumentações, sua insistência: papéis, papéis, contratos, termos, leis, livros, palavras, palavras, todos esses atestando a relatividade de tudo, e, por isso, a tal pessoa argumenta, persiste, esperançosa. Eles confirmam uma possibilidade, AS possibilidades, múltiplas, de realizar suas vontades, tão abafadas pelo que o seu superego lhe vive atestando, pelo que a material e histórica luta de classes lhe sinalizou a vida toda. A contratualização das relações humanas, sociais, de trabalho, a super-estrutura; a justiça escrita para que não haja submissão inquestionável, a palavra, a norma, as teorias e artes sobrepondo-se à voz moral implícita que os antigos fortes, os nobres, exerciam lá pela Idade Média. Sempre haverá a burguesia - essa pessoa é um burguês, pequeno, mas burguês -, como uma classe, que estará lá no alto, graças às leis, à propriedade, mas, também, os burgueses, os indivíduos burgueses, os pequenos burgueses, classe-média, que precisam esforçar-se para tornar-se o topo do topo, que para isso buscam conhecer as leis, as palavras, os livros, a história, apenas argumentam, galgam mérito, mérito retórico, politiqueiro, equacionado sobre as normas, que instrumentará a vitória do burguês fraco sobre a estrutura social estanque e injusta. É nas leis que ele se pauta, somente com leis se transforma num grande burguês e de lá não sai se soubé-las bem, tão bem quanto soube pra subir. Mil milhas e milhões de pessoas para baixo é o que essa pessoa espera ver do vértice superior dessa pirâmide. Sem o foco natural, ou de berço, é nos argumentos, nas palavras, que vislumbra o pódio, de onde nunca mais pretende descer.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
O zumbido do silêncio
Minha vida é vazia
Minha vida é vazia
e sempre foi.
E eu, com todas as unhas,
nela finco-as e faço ranhuras,
agarro-a e arrasto mais linhas
é minha!
empano em palavras minha mudez nua
porque minha avalanche é crua.
O lençol entre os dedos apertado,
de punho cerrado, cerrado:
minha vida vazia
como sempre foi
Minha vida é vazia
e sempre foi.
E eu, com todas as unhas,
nela finco-as e faço ranhuras,
agarro-a e arrasto mais linhas
é minha!
empano em palavras minha mudez nua
porque minha avalanche é crua.
O lençol entre os dedos apertado,
de punho cerrado, cerrado:
minha vida vazia
como sempre foi
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
inconscientemente
O seu fígado,
exaltava a repórter,
havia sido doado para uma menina pobre do ABC paulista,
enquanto a TV brilhava
e a morte sussurrava
toda a sua escatologia,
toda a sustentabilidade
e o valor social da reciclagem.
E os pensamentos tradicionais cristãos,
de respeito ao corpo
à integridade,
ao pós-morte,
inconscientes,
eriçavam meus pêlos,
davam frio na espinha,
faziam algo em mim estranhar esse fato
que se transmitia belo pela tal notícia,
muito embora, é claro
que também doaria.
Perdoava,
mas que se fizesse justiça,
era o que pedia a mãe da vítima.
Chorando compreensiva?
Eu entendia vingança
olho por olho, dente por dente
via bondade messiânica
que degladiava com a Babilônia Antiga.
Os dois, sentir eu também podia
e ainda criticava
depreciava
como um bom cidadão pós-copérnico
como digno herdeiro do marquês de Sade.
Aquilo
era só notícia.
Era só notícia?
moral da história:
há mandamentos tão intrínsecos
em nosso inconsciente
que são inegáveis
em nossas sensações -
mesmo que apercebidos.
exaltava a repórter,
havia sido doado para uma menina pobre do ABC paulista,
enquanto a TV brilhava
e a morte sussurrava
toda a sua escatologia,
toda a sustentabilidade
e o valor social da reciclagem.
E os pensamentos tradicionais cristãos,
de respeito ao corpo
à integridade,
ao pós-morte,
inconscientes,
eriçavam meus pêlos,
davam frio na espinha,
faziam algo em mim estranhar esse fato
que se transmitia belo pela tal notícia,
muito embora, é claro
que também doaria.
Perdoava,
mas que se fizesse justiça,
era o que pedia a mãe da vítima.
Chorando compreensiva?
Eu entendia vingança
olho por olho, dente por dente
via bondade messiânica
que degladiava com a Babilônia Antiga.
Os dois, sentir eu também podia
e ainda criticava
depreciava
como um bom cidadão pós-copérnico
como digno herdeiro do marquês de Sade.
Aquilo
era só notícia.
Era só notícia?
moral da história:
há mandamentos tão intrínsecos
em nosso inconsciente
que são inegáveis
em nossas sensações -
mesmo que apercebidos.
Família, ê!
Pertenço a uma família peculiar e bem normal, acredito, nos tempos atuais. Pra começar, ela é freudianamente planejada, por pais psicanalisados e teoricamente resolvidos. Uma família burguesa de ideais comunistas; e, como tal, nela, a figura da mulher é livre, apesar de ainda assim ser inferiorizada na dinâmica empírica, mesmo que havendo um contrato social de igualdade: é bem subliminar - bem século XXI! E não havia como não ser idealmente comunista se não tivesse um passado burguês - no caso um presente que se pretende passado. Mas, como a família de que faço parte é um país de capitalismo em desenvolvimento e as remessas de capital ainda não são muitas, nem muito gordas, se transmite a idéia do socialismo, sob práticas capitalistas que possam inchar o bolo para depois reparti-lo. Só se faz isso através de atitudes que valorizam a família e hostilizando figuras que venham a representar algum tipo de subversão para a volta ao subdesenvolvimento: esses são amigos ditos más-influências. Normalmente também escolhem algum membro como exemplo por ter cometido práticas indevidas. Esse aí, eu acho que sou eu; não sou exemplo para ninguém na família. O nosso regime socialista/capitalista, a la China, Venezuela, Bolívia, entende que é de suma importância o desenvolvimento da ciência e da tecnologia interna suficientes para a implantação do comunismo, para que se façam as mudanças drásticas necessárias, a fim de que atinjamos a paz e o fim da história. Ou, para o meu pai, grande líder da nação-família, o fim da sua história em paz. Por isso é importante o estudo, uma boa faculdade e os conhecimentos mais acertados, que trarão mais dinheiro, que permitirão, através das conquistas burguesas, estruturar uma vida de luxos para todos os seus iguais, sua família: todos os filhos devem ser abastados. O comunismo para essa família é a libertação que o capital proporciona - para essa família e, ouso afirmar, para Marx também, que entende a necessidade do desenvolvimento do capitalismo. A minha família é pautada nos pensamentos freudianos de estrutura familiar - papai, mamãe e dois filhos, em que os pais se dedicam, acima de tudo, aos filhos; e todos se devem amar. Por outro lado, se baseia nos ideais marxistas de liberdade coletiva, de que todos devem ter as mesmas concepções - olha o amor ideal aí, gente! -, e quem não tem, paredão. Para servir de exemplo.
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