domingo, 21 de dezembro de 2008

especulando sobre o pior

mais tarde,
pensando no alarde
chegando:
tom grave bombando -
mais tarde,
chegando no alarde,
pensando.
tom grave chegando,
tom grave pensando:
alarde mais tarde chegando bombando,
pensando.
nariz entupido, macaco
mobilidade, deglutição, cagar, macaco
procurar lugares melhores, posições mais confortáveis, arranjar algumas animosidades, macaco
tem pai e mãe, macaco
faz parte de uma sociedade com algumas hierarquias e sofre quando é inferiorizado, macaco
precisa se distrair e não ficar pensando em sobreviver o tempo todo, macaco
macaquinho

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

o pêndulo é marcado
lascívia
mais calmo
lascívia
mais calmo
lascívia
mais calmo

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

desesperado não vou à banca

depois do trabalho feito
da certeza construída
se apercebe o mal-feito:
o que a seqüela me trouxe
foi um esquecimento mortal para a sua própria propagação:
eu não tinha seda
tudo preparado
tabaco queimado
hash dichavado
que esperança maldosa
ou descuido
gavetas reviradas
papéis remexidos,
procurados
e uma luz -
de lanterna:
há colomys esquecidas de propósito na gaveta com chave
pras últimas saídas.
me preparo um alívio inferiorizado

houve uma denúncia

A cena da loucura é preocupante. Porque louco que é louco denuncia. Mas denuncia mitologicamente, como disse um louco que conheço. Com seus delírios de grandeza, nos confronta com a idéia de que nós temos que fazer alguma coisa, de que talvez não sejamos sóbrios, de que talvez sejamos uns apáticos pós-modernos de merda. Mas ele era o louco e todos sabiam e todos agiam como se ele realmente fosse e nós, os não loucos não éramos. Tratamos de encarar tudo o que dissesse como os maiores absurdos já ditos. Não entendíamos a mitologia do esquizofrênico. Mandamos ele descansar, arrumar os pensamentos que lhe fugiam e ele dormiu. O nosso estado de loucura era o de controlar nossos ímpetos: eu queria desbravar o mundo para ajudá-lo ou de repente até compreendê-lo em seu delírio e ir além em minha percepção. Ele não parava de dizer que estava tudo acontecendo, que nós tínhamos que perceber, que não era possível que não estivéssemos entendendo. Estávamos todos, mas o inconsciente coletivo inconscientemente se escondia e brilhava agora o senso de diferenciação pessoal - talvez por instinto. Ele estava ligado a outra coisa que não em si, ele estava ligado no que todos nós estamos vivendo, sofrendo, ruindo. Chamamos o seu responsável e ficou por isso mesmo, conselho de uma psiquiatra. O louco, por ser louco, que denunciou, eu só estou prestando o meu depoimento refletido.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Sei que há um limite
que não se atravessa
que não perdura um olhar
que divide o que é do que há.

Há um rompante represado
um dique super-estruturado
estamento estamentado
e o opaco das coisas em quem não é o que tem.

uma voz de tragado

convectivos afagos

pralguns, não dormi bem
pra você, sei que sabe também

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

visão aristotélica para uma sensação platônica

passividade em cena
quem disse que é preciso agir pra ser quem você é?
então me pergunto quem sou
e sempre parado, reflexivo,
me torno o pior dos platônicos
o que busca conhecer-se a si mesmo
no mundo das idéias
minha metafísica engole qualquer vestígio de intenção de realidade
mas a dialética do materialismo
quer quebrar super-estruturas em mim
quer acabar com essa idéia de mundo das idéias
quer agir
passo a passo
antítese por antítese
porque morremos todos
porque real é real
porque pasmar e ver o tempo passar, achando que pensa sobre o mundo todo,
não é tão eterno quanto aparenta essa imaterialidade do pensamento
conhece-te, de fato, de verdade, na matéria, a ti mesmo
lembremos todos que a existência precede a essência