segunda-feira, 7 de março de 2016


INGOLD, Tim: "Indeed, this conclusion is supported by recent neurological research which shows, as Kandel and Hawkins report, that ‘our brains are constantly changing anatomically’, even as we learn (1992: 60)." Como o cérebro pode ter mudado, na revolução cultural, sem necessariamente ter significado uma modificação genética.

terça-feira, 1 de março de 2016

INGOLD, Tim -- The percepetion of the environment, chapter 15. "And it is no accident that its coinage coincided with the radical transformation in Western cosmology ushered in by such figures as Galileo, Newton and Descartes." Repare aqui a utilização de cientistas e filósofos para denotar a transformação da cosmologia, e a utilização da palavra cosmologia associadamente à ciência.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

A motivação de superação do capitalismo não pode ter morrido junto com o fim da URSS em 1991. Se antes o socialismo soviético, isto é, a existência real de um socialismo, motivava ainda mais a crítica ao sistema, além de dar suporte ideológico e organizacional aos comitês dos partidos, garantindo minimamente um norte na luta conta o capitalismo, a queda do muro de Berlim e a instituição da Nova Ordem Mundial deixaram misturar-se com o capitalismo e o liberalismo todas as formas de luta contra o capitalismo tidas como dissidências dentro da esquerda. A falta de liberdade do regime soviético, como argumento básico para que se lhe acusasse de conservador, era rebatida, por esses dissidentes do socialismo real ou do marxismo-leninismo, com crítica ao sistema econômico capitalista: apenas que o faziam distanciando-se, pouco ou muito, da "matriz original" da crítica, que era a URSS. Nesse sentido, algumas informações nos fazem pelo menos crer que o desejo do fim do capitalismo era maior do que o do fim do socialismo soviético, pelo menos por parte das esquerdas. Uma delas é a expressão, em sua teoria, das lástimas do escritor Aleksander Zinoviev durante a década de 1990, seguidamente ao fim da URSS. Zinoviev tinha ficado conhecido no Ocidente por escrever um livro contra o regime soviético, de duras críticas quanto à severidade do stalinismo no que diz respeito à obediência às diretrizes do governo. O que ocorreu com suas teorias, então, a partir de 1990, que passaram a clamar pelo retorno do socialismo no mundo, pela manutenção de uma alternativa ao capitalismo? Se se tratasse de um homem que desejasse o capitalismo, não se pode crer que lamentasse o fim da URSS, mesmo tendo sido expulso dela -- e mesmo não concordando com todas as suas estratégias políticas. Zinoviev, contudo, permaneceu fiel ao seu desejo de fim da ordem capitalista e passou a propor uma reformulação do comunismo internacional, valorizando ainda o papel da Rússia como guia evidente desse processo, sob o direcionamento de outras "vanguardas". Sentimento parecido é o de Volpin, poeta soviético, conhecido por criar o movimento da "dissidência legal". As demandas do Volpin eram muito claras, embora tenha sido mal-compreendido pela elite política decisória soviétiva da épcoa de Kruschev. Volpin não era um anti-comunista, muito menos um anti-URSS. Volpin propunha a introdução de uma discussão que pode aproximar-se do que no ocidente se desenvolveu sob a alcunha de Direitos Humanos. Segundo o poeta, a URSS deveria gerar uma solução de dentro para os seus próprios problemas de inconformismo interno -- e, nesse sentido, sua proposta parece dirimir as críticas pós-estruturalistas ao marxismo e ao socialismo. Ele queria, em outras palavras, a continuidade do projeto socialista soviético, ele não desejava o retorno ao capitalismo, ele acreditava na superação do capitalismo, só que ele desejava o aprimoramento interno das questões civis na URSS, talvez como um desdobramento histórico mesmo do processo.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Uma família toda reunida em volta de um sentimeno de não ter alcançado. O preço alto a pagar pelo sucesso fácil, por vender-se. Mas um preço, talvez ainda mais alto, a pagar por ficar para trás num teatro onde o alcance das expectativas de sucesso que cada um deve cumprir é o que vale. O contato estranho com aqueles que não partilham com eles desse código de honra; a necessidade de conviver com outros para obter o mínimo, pois há escassez de amigos. A superimportância dada ao trabalho, porque o simples vender-se não é permitido. Viver, para eles, é mais complicado, pois vivem, ano após ano, querendo crer que um dia serão recompensados, sabendo que não serão, na verdade, uma vez que vêem essa inexorável politicidade inerente ao sistema econômico em que vivem.

domingo, 17 de janeiro de 2016

amante parvo

eu ainda não sinto aliviado o passar do tempo

eu penso sobre todo mundo como um homem branco

(eu silencio-me quanto ao meu desejo, porque platônico e ultrapassado,
e minto toda falta de culpa e de medo por ser solitário
me escondo, sempre a ser eu mesmo, e, um a um, vou cumprimentando
mas segundo a cada segundo tudo ainda tem seu rosto)

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Um pedido de desculpas se aproxima e pede para sentar. No início, ele é bem vindo, e toda cordialidade dele é retribuída, conforme servem-lhe mais uma taça. Como pedido que é, aposta na delicadeza da etiqueta para não ser posto para fora, já que há o risco dos termos em que se apresenta não serem exatamente aqueles que deveriam ser cotejados, segundo quem concederia as desculpas. Alguma palavra, no entanto, é recebida por esse pedido de modo atravessado: ele percebeu uma grosseria, tépido. Ele é um pedido de desculpas, então dificilmente sairá de perto, insistindo em ser bem recebido, até que consiga desaguar e se decompor no coração daquele a quem se endereça. Como as desculpas são consequência de um mal-feito, alguma aspereza ele já esperava. Permanece, aceita outra taça de vinho, conversa um pouco com os outros comensais. O álcool sobe à cabeça e o pedido de desculpas é humilhado na frente de todos: tacam-lhe um copo d'água na cara, jogam-lhe o guardanapo, esbravejam tudo aquilo de péssimo de que tentava se desculpar e deixam-no com cara de pastel à mesa chique. Ele olha para todos, todos o olham, poker face, e nao consegue levantar da mesa, por não saber o que fazer. Fica até a sobremesa. Fala com todos sobre assuntos superficiais. Vai embora do jantar sem ter cumprido seu objetivo, embora tenha certeza de que foi educado.

domingo, 10 de janeiro de 2016

erramos em pensar assim pois a vida é real e a metafísica não existe mais, é o que dizem, portanto devemos resolver a vida na prática cotidiana, é o que dizem

alívios psicológicos são fluxos que saem da nossa mente para uma esfera metafísica do universo aparentemente infinita. como despejos de lixo ou esgoto no oceano, despejamos nossas neuroses, a fim de obtermos alívio, para o "espaço".