esses versos
sao para todo pingo de qualquer outra vontade
que justamente surge antes de fazermos alguma coisa
sao para a vantagem
de parar os planos, mesmo os de curta distancia
mesmo os que nos propusemos
esses versos
sao a expressao mais feliz do cansaço
e da preguiça
sao a apatia e a letargia em adornos simples, mas lindos e vistosos
calmantes e alegres
sao a licença gostosa de ficar um pouco mais antes do feito fatal
esses versos
se estendem e se iludem
se iludem de que podem expandir os apenas-alguns-segundos-a-mais - como isso é bom!
porque o tempo mesmo sempre passa igual...
versos atrasados mas desprendidos,
por falta de compromisso, por força do riso
eles sao so pra quem quer mais um pouco de qualquer coisa antes de...
sao como fitas coloridas, suaves, balançando docemente sem objetivo
algum
preguiça da preguiça - e como isso é bom!
porque esses versos
so são
quando a poesia melosa se sobrepõe
tenra
a qualquer nuance nossa
que encaramos
nem que minimamente
como dever
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Nao vou te mostrar
nem te ensinar como comer com o garfo!
Nao vou te mostrar
é sua vontade que te enche o prato
tenho pena de te ver pensando
o que comer!
por que me culpar
quando é o mundo todo que é errado?
por que me culpar
e insistir em ser um cara chato
me intrigando e perguntando
como fazer?
Culpo deus,
é mais facil
porque foi ele
que fez tudo isso pra mim
Culpo deus,
desgracado,
eu so' sai
de uma vagina e estou aqui
Nao é problema meu que o mundo seja ruim
Nao é problema meu se você come assim
Nao é problema seu, nao se questione, enfim!
nem te ensinar como comer com o garfo!
Nao vou te mostrar
é sua vontade que te enche o prato
tenho pena de te ver pensando
o que comer!
por que me culpar
quando é o mundo todo que é errado?
por que me culpar
e insistir em ser um cara chato
me intrigando e perguntando
como fazer?
Culpo deus,
é mais facil
porque foi ele
que fez tudo isso pra mim
Culpo deus,
desgracado,
eu so' sai
de uma vagina e estou aqui
Nao é problema meu que o mundo seja ruim
Nao é problema meu se você come assim
Nao é problema seu, nao se questione, enfim!
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
medo de ser desenvolvido
Olho a vista daqui do velho mundo e é marcante
que todos precisam fazer suas vidas
seus caminhos
sem se lembrarem de rir muito...
à distância, o destino...
é perdido
quantas faces sao minhas?
uma coisa é pensar, outra é fazer
uma coisa é querer, outra é poder
um caminho é entao descaminho
a certeza é entao desânimo
uma casa e seus moveis, um suplicio
do amor que ninguém vai ter
por ser brasileiro
sou dois filhos gemeos
dois impulsos heterogêneos
um do amor e do riso e do risco
e um do serio, do meu e de outro risco
ah! cada caminho e seu descaminho...
ah! as escolas e seus feitos filhos
seus defeitos timidos
uma bomba a se instalar la
(aqui)
por nada mais ser ou achado ou perdido
sem extravio de ensino, nem de bagagem
nao me venham podar meu selvagem!
que medo de ser desenvolvido!
pergunto à moca do achados e perdidos,
lost and founds, por aqui,
pra mim aqui é tudo invertido
primeiro se perde depois se acha, esse é o certo, ela me diz
eu, ouvidos, repito que sim,
esse é o certo, mas a minha mala nao é esta aqui
perdida e depois achada
prefiro achar e depois perder
como a bagagem, com dono, que perdeu seu caminho
como o dono, sem bagagem, que perdeu-se em destino
ah, o primeiro mundo, e todo o esforco
pra permanecer no topo!
ai, que medo de ser desenvolvido!
que agonia de marchar tao certinho e igualzinho!
nao tem agua de marco pra escoar, diluir, confundir os meninos!
uma bomba na escola pra calar o serviço!
uma chuva tropical pra apagar, pra ser livre!
ser pedra sem estar no caminho!
que todos precisam fazer suas vidas
seus caminhos
sem se lembrarem de rir muito...
à distância, o destino...
é perdido
quantas faces sao minhas?
uma coisa é pensar, outra é fazer
uma coisa é querer, outra é poder
um caminho é entao descaminho
a certeza é entao desânimo
uma casa e seus moveis, um suplicio
do amor que ninguém vai ter
por ser brasileiro
sou dois filhos gemeos
dois impulsos heterogêneos
um do amor e do riso e do risco
e um do serio, do meu e de outro risco
ah! cada caminho e seu descaminho...
ah! as escolas e seus feitos filhos
seus defeitos timidos
uma bomba a se instalar la
(aqui)
por nada mais ser ou achado ou perdido
sem extravio de ensino, nem de bagagem
nao me venham podar meu selvagem!
que medo de ser desenvolvido!
pergunto à moca do achados e perdidos,
lost and founds, por aqui,
pra mim aqui é tudo invertido
primeiro se perde depois se acha, esse é o certo, ela me diz
eu, ouvidos, repito que sim,
esse é o certo, mas a minha mala nao é esta aqui
perdida e depois achada
prefiro achar e depois perder
como a bagagem, com dono, que perdeu seu caminho
como o dono, sem bagagem, que perdeu-se em destino
ah, o primeiro mundo, e todo o esforco
pra permanecer no topo!
ai, que medo de ser desenvolvido!
que agonia de marchar tao certinho e igualzinho!
nao tem agua de marco pra escoar, diluir, confundir os meninos!
uma bomba na escola pra calar o serviço!
uma chuva tropical pra apagar, pra ser livre!
ser pedra sem estar no caminho!
Alguém? Eu repito!
Um intensivo
de amor,
Eu preciso!
Que cada vez que eu me olho
eu repito
que é mais forte
é mais forte que o riso
que é alguém
eu insisto
eu insisto
o amor
o rumor
que eu preciso
pra tudo isso!
Tô aqui pra cair
num abismo
e também pra ser
outro abismo
pra mudar
causar, em alguém, algum vicio
pra dizer
que é amor, que é amor
diz pra mim
alguém
é de um amor
que eu preciso
Alguém me da,
por favor,
o seu viço!
Que eu dou
com carinho
o meu risco
vem amar
vem dizer
eu preciso
eu preciso
de um amor eu preciso!
Sei que é disso
de amor que eu preciso
diz alguém
de um amor eu preciso
faz um bem imenso
vem que eu explico
vamos logo pular desse pico!
tô pedindo um amor
eu preciso!
Sem saber mostrar
eu insisto, vamos
revirar o lixo
e encontrar um sorriso,
toda sorte desse precipicio,
vem pra mim
vem ser o amor
que eu preciso
que é de um amor,
de um amor que eu preciso!
de amor,
Eu preciso!
Que cada vez que eu me olho
eu repito
que é mais forte
é mais forte que o riso
que é alguém
eu insisto
eu insisto
o amor
o rumor
que eu preciso
pra tudo isso!
Tô aqui pra cair
num abismo
e também pra ser
outro abismo
pra mudar
causar, em alguém, algum vicio
pra dizer
que é amor, que é amor
diz pra mim
alguém
é de um amor
que eu preciso
Alguém me da,
por favor,
o seu viço!
Que eu dou
com carinho
o meu risco
vem amar
vem dizer
eu preciso
eu preciso
de um amor eu preciso!
Sei que é disso
de amor que eu preciso
diz alguém
de um amor eu preciso
faz um bem imenso
vem que eu explico
vamos logo pular desse pico!
tô pedindo um amor
eu preciso!
Sem saber mostrar
eu insisto, vamos
revirar o lixo
e encontrar um sorriso,
toda sorte desse precipicio,
vem pra mim
vem ser o amor
que eu preciso
que é de um amor,
de um amor que eu preciso!
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Ah, mas eu sinto uma coisa tão boa, mas tão boa quando alguém está fazendo coisas em mim para me cuidar... Eu acho muito gostoso ir ao barbeiro, ao dentista, ao médico... Adoro o fato de ficarem encostando em mim com cuidado, com o objetivo de me manter bem, de melhorar a minha aparência, a minha saúde, o meu bem estar! Eu não sei... Mas é que eu tenho quase que um tesão quando sinto as mãos encostando em mim, me melhorando, me guaribando, me emperequetando: como se me sentir bem estivesse relacionado com a minha aparência e com o meu tesão - é uma espiral, em que o investimento na aparência já é o alcance do objetivo final, que é sentir-se bem, atrair pessoas - e atrair pessoas é um estímulo a continuar me cuidando, é o reflexo do bem cuidar-me. É uma engrenagem: higiene/bem-estar/sexo/higiene/bem-estar/sexo...
domingo, 29 de novembro de 2009
a implosão da metafísica por Mário Quintana - mais brasileiramente impossível
Preciso postar uma linda poesia do Mário Quintana, que conseguiu expressar muito bem essa história de romper os limites entre o mundano e o erudito, ou seja, conseguiu expressar o fim da extratificação de valores - brasileiro adora se despreocupar. É a poesia IV da "Rua dos Cataventos". Aí vai:
Minha rua está cheia de pregões.
Parece que estou vendo com os ouvidos:
"Couves! Abacaxis! Caquis! Melões!"
Eu vou sair pro Carnaval dos ruídos,
Mas vem, Anjo da Guarda... Por que pões
Horrorizado as mãos em teus ouvidos?
Anda: escutemos esses palavrões
Que trocam dois gavroches atrevidos!
Pra que viver assim num outro plano?
Entremos no bulício quotidiano...
O ritmo da rua nos convida.
Vem! Vamos cair na multidão!
Não é poesia socialista... Não,
Meu pobre Anjo... É... simplesmente... a Vida!...
Não sei por que estou dizendo isto, mas vou dizer: gente, leiam tudo o que eu escrevo sempre tentando interpretar e reinterpretar, como se cada palavra estivesse contornada de grandes e gordas aspas, como se os infinitos sentidos daquelas palavras, em seus contextos, pudessem se aflorar borbulhantes na mente de cada um - contestáveis, contextualizáveis. Enfim, o que eu digo é que nenhum texto se encerra nele mesmo, assim como a pintura já implodiu a tela. É como se, aqui, eu estivesse pedindo a minha licença poética pra sempre...
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