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domingo, 2 de outubro de 2011

o grande esforço:
transformar
mal
em
bem

domingo, 7 de agosto de 2011

o chato

eu tentei durante muito tempo, eu tentei apagar da minha perspectiva qualquer vestígio de busca que o meu querer traz comigo! mas eu não consigo! eu observo, eu investigo, eu esquisito... eu quis, eu quis, por muito tempo estar la em cima sem saber explicar o porque! Eu queria! mas eu não sei por que, eu não sou o quê, não sei! eu tive é que voltar, eu não podia deixar pra trás o que já havia começado. o passado, o erro, o trabalho! pra poder dizer na cara dos outros: isso, aquilo, aquilo outro! quantos nãos eu já não havia recebido, quanto desprazer eu havia causado, quanto desgosto, quanto! eu tinha, eu tenho - sou um tipo infeliz, infelizmente, um tipo deslocado, já rejeitado, destinado a ser assim... porque eu posso tentar, tentar, tentar, mas não dá, não dá pra fazer a escolha certa e conseguir o que eu quero - sou arrastado! fui relegado ao ocaso do acaso - que azar o meu, nunca a sorte! e por isso carrego um fardo, um fardo horrível, desde algum tempo, e terei - se me ouvirem! - terei que dizer pra todos: o que não querem que seja dito!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

brasil dos jornalistas, fotógrafos, djs

eu concordo com o senso comum em historia num ponto fundamental: a guerra-fria e as ditaduras foram péssimas - para a consolidação de um projetos nacionais críticos. ter feito dos intelectuais algo exilável criou, ao mesmo tempo, uma espécie de vangloria ao que se propõe como boa arte e boa filosofia moral, como se nossa capacidade crítica, tanto pra arte, quanto pra moralidade, fosse inexistente e nos seduzíssemos meramente por uma barra que é forçada no convívio social burguês - nossa capacidade de ligar o "foda-se" para o gosto massificado foi censurada; e criou também um ódio em massa por aqueles que percebem a forçação de barra moral. ser crítico, assim, ou seja, refutar muito do lixo que é socado pseudo-intelectualmente por aí e escolher o seu próprio bem pode ser uma tarefa muito difícil e dolorosa psicologicamente. Como são tratados os "gurus", que moralizam, principalmente em festas? Praticamente são tidos por heróis, que precisam ser suplantados pela sociedade carente do desenvolvimento intelectual, interrompido durante a ditadura - e todos sabemos da extensão ínfima do meio social burguês de qualquer grande cidade para nos darmos conta de como uma tomada de atitude crítica causa medo e é, assim, reprimida.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

inveja

Quando o que se tem em mente é o Óbvio Ululante fica difícil conviver docemente numa night. Odeio cruzar constantemente olhares e me sentir um stalker.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

o que eu quero é mais

acordei só pra comer e ver
que tem só você aqui - e tem a tv!

só nós dois é bonzinho demais,

"era pra ser!
nem dá pra falar muito mais,
só você!"

ah! É esquisito demais de clichê!
amorzinho pra lá
amorzinho pra cá
sem falar, só de olhar,
PORQUE É PRA ESCONDER

Copacabana pra graça ser mesmo você! É clichê!
meu prêmio, meu orgulho?
meu pouco, meu "maispraquê"

é melhor então ninguém mais, além de nós dois, saber
de tão, tão fucking clichê!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Os Verdadeiros Filhos da Puta

agora imagina
se 200 anos depois de você morrer
cientistas
descobrem como fazer pra evitar a morte
pra sempre
só pra galera daquela geração

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

quanto falta de ridículo para inviabilizar minha poesia e quanto falta de design para que eu queira assiná-la?

domingo, 25 de abril de 2010

persona (non grata)

fácil é
uma palavrinha...

as sinapses são mesmo rápidas
é só ver como consguimos construir e destruir histórias a partir de possibilidades.


quantas vezes eu sacodi meu pé nesse meu último minuto?


ah, que vergonha! Eu sei que na vida real dá pra ser tranquilo...


anormalidade é uma palavra que pressupõe que os normais tenham e defendam a auto-consciência e que os anormais não a compreendam corretamente, sejam perdidos em seus mundos eus

simplesmente relaxar e ser um ego multidecupado

ou melhor, não conseguir exatamente relaxar por não ter a pele nem a força, unas, que devia

- anormais não conseguem ser alguém
- são alguém os anormais que querem ser anormais
- só é alguém quem tem a volta completa da auto-consciência: um
- anormais são corpos que não se entendem corpos e não dão essa tal volta completa

com a rapidez que eu sou, pra ser alguém...
eu esqueço e não escolho
e ainda vou ter que crescer em algo pra brilhar um eu meu

é engraçado,
porque parece que,
só porque você é muita coisa,
você tem que sacrificar todos as suas outras partes, que você tem que chamar de partes,
e ser, sei lá, o você/eu médico ou palhaço, de barba feita ou por fazer; qualquer coisa única

se a gente tivesse preguiça e gula como as melhores coisas da vida, talvez nem compreendêssemos o que é ser um indivíduo.

veja bem:

você têm muita preguiça de escolher e de fazer, mas tem vontade de poder ser tudo ao mesmo tempo.
feições e traços, seria o quê, isso, para esse povo que ama a preguiça e a gula?
todos os homens seriam iguais? ou melhor, existiriam limites físicos da pessoa?


PERSONALIDADE


mas é estranho pensar num povo
mais estranho ainda é pensar em permitirem as pessoas serem preguiçosas e gulosas
"beleza, temos uma cota de 10% da população do brasil que vai ser sorteada pra viver em completos ócio e despersonificação. os indivíduos serão escolhidos por sorteio, podendo refutar sua escolha, que passaria para alguém que quiser. a essas pessoas serão designados os direitos de surtos repentinos, de uso irrestrito de drogas e de acordar às 4 da manhã pra ler só o prólogo de um livro do Hegel."

e ainda tem o amor!
ora, você é o quê pra dar a alguém?
haveria amor na terra da gula e da preguiça?
planeta terra:
nos adentramos em quem quando queremos saber tudo do nosso amado?
um corte de cabelo, uns livros lidos, uma vontade essencial que te faz ser um indivíduo marcado
com traumas lidos, divididos, superados?
você como você é, sim, sozinho, arrumando coisas no quarto e se preparando pra amanhã
e alguém te encontra em algum lugar, algum bar, metrô e se apaixona por você
você é o bom-senso, é a fome e o descanso e um semblante assenhorado
porque você já sabe o que você é.
(se a pessoa já sabe o que ela é, então, são grandes as chances ideais de um amor)

Amor é amor pra quem não sabe o que é nem o que faz nem o que quer e só quer um corpo pra te acompanhar a não fazer nada?


PERSONALIDADE


pra ser geléia, como é que faz?

segunda-feira, 5 de abril de 2010

um insight, de tunico ribeiro

da timidez
ao descontrole
eufórico e hesitante
alguma paranóia há
de vir
sobre o ponto
do ponto do ponto
do ponto
que nos faz crer
que saberemos algo além
de que terra é terra
mar é mar
e céu é céu

poema secreto de tunico ribeiro

o silêncio oco dos sozinhos dita
são as cores daquela parede
da janela
e do chão

eu choro o sonho de quem acredita
negando a minha própria sede
perdendo um trem
pra amsterdam

Sair? eu tento...
mas é friiio
é que eu to tão sozinho
eu tô tãão sozinho... quietinho...

terça-feira, 16 de março de 2010

Arte é preconceito

domingo, 14 de março de 2010

Qual é a do tipo de gente que olha uma pessoa meio depressiva e sente aquela simpatia compaixonada de otário?

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Nao vou te mostrar
nem te ensinar como comer com o garfo!
Nao vou te mostrar
é sua vontade que te enche o prato
tenho pena de te ver pensando
o que comer!

por que me culpar
quando é o mundo todo que é errado?
por que me culpar
e insistir em ser um cara chato
me intrigando e perguntando
como fazer?

Culpo deus,
é mais facil
porque foi ele
que fez tudo isso pra mim

Culpo deus,
desgracado,
eu so' sai
de uma vagina e estou aqui

Nao é problema meu que o mundo seja ruim
Nao é problema meu se você come assim
Nao é problema seu, nao se questione, enfim!

domingo, 11 de novembro de 2007

Só Merda

Falar merda, graças a Deus, é um dom restrito a poucos. É um dom pois permite a quem fala - a merda - discursar ininterruptamente sobre qualquer assunto e ele, por mais que importantissimo, passara a ser uma merda qualquer que se esteja falando. Você, que fala merda, pode tratar qualquer seriedade, qualquer preocupação ou ocupação como a-mais-digna-de-gargalhadas-compulsivas merda.

Mas aquele que traz a merda para o assunto se diferencia daquele que torna merda o assunto, embora muitas vezes seja a mesma pessoa que o faz. É tudo uma questão de know-how. Basta esperar o momento propício, aquele em que o assunto está se tornando sério, que apenas alguns conseguem acompanhar. É aí que entra o Senhor da Merda. Ridiculariza o assunto, dando a entonação necessaria, avacalhando qualquer vestigio de chatice. Falar merda é tirar do sério. Tirar o assunto do sério, daquele peso de avaliar importâncias. Tirar do sério aquele que falava, que ficará extremamente irritado, proporcionando, assim, mais observações merdáceas sobre a falta de fair-play do indivíduo metido a sério.

Se o assunto não há, a merda vem de fora. Em geral. Vem a merda sobre o garçom, sobre a velha do lado, sobre os hábitos alimentares do gordo da frente, sobre o jeito inaceitavelmente engraçado da bicha-louca sentada naquela mesa, sobre a dança exótica que as quarentonas cismam em continuar fazendo, mesmo sabendo que são quarentonas.

Enfim, minha gente, a merda está no meio de nós. E se me dizem: "Pare de tocar na merda: quanto mais o faz, mais ela fede". Acho que esse que me fala uma barbaridade dessas não sabe o que diz, senão uma grande seriedade chata. Mexamos, e cada vez mais, nas merdas que jazem neste mundo. Se elas fedem, lembramos do fedor que elas exalam. E fedores, assim como qualquer coisa inusitada, nos prende a atenção, e reparamos nas excentricidades do fedor. E tudo o que é excêntrico, é fora do padrão: torna-se ridículo. E assim rimos de alguma coisa. É genial quem consegue jogar a merda de tudo no ventilador.

Mas pera lá! Se todos mexerem nas merdas do mundo, ou seja, se todos forem capazes de trazer à tona a merda que existe infiltrada na essência de tudo, a merda tornar-se-á o padrão. A merda não será mais o excêntrico, logo não mais o ridículo!
A natureza, entretanto, é sábia: são poucos os que sabem tornar merda, para, assim, ela continua propícia.