quinta-feira, 7 de novembro de 2013
uma mulher perdida entre a sua vontade de não fazer nada e o medo de começar a fazer, porque talvez seja ridículo. uma mulher presa numa ideia de que deve ser mais bem remunerada, mas acha que não faz aquilo que gosta. uma mulher na inatividade, porque está a espera de uma vocação que a faça mover-se. esparramada.
terça-feira, 5 de novembro de 2013
caetano
muito amor é preciso para que todas as diferenças se tornem tranquilas na vida normal. muito mesmo, muito amor é preciso para que toda a tristeza que pode surgir nos quaisqueres com o erro de agir natural dos melhores seja confortada. entre uns e outros, é preciso amor para que os assuntos sejam os que se bem diz. e é somente com a aquisição desse amor que se passa a gostar do caetano veloso.
sábado, 14 de setembro de 2013
toda vez eu me sinto como se não tivesse sido capaz de escolher os meu sentimentos. tenho vontade de escolher como sinto coisas em relação a pessoas. mas pessoas sentem coisas em relação a mim e não se policiam por isso. minha reação, mesmo que não aparente, é espontânea. tenho preguiça de me controlar, embora tenha medo de me expor totalmente. quando esqueço que possivelmente me fizeram mal, consigo viver normalmente. quando me lembro, não gosto do que penso. quando penso o que não gosto, não consigo achar solução.
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
impossível
Me pego esquecendo que somos feitos de amor e carinho e crio um conflito esperando que você possa me entender -- ou reverter um quadro implícito de diferenças tais... Depois me lembro, me leio, desisto. Não fica triste comigo. Se achei que tudo não tinha que ser assim: isso de eu e você não sermos a mesma coisa. Tem a física, a economia, a arte, a sociologia! Mas falta a sua companhia. Enfim...
sábado, 22 de junho de 2013
desdobramentos do superficial
Um jovem garoto acreditou que poderia realizar suas vontades acima de tudo. Um outro jovem garoto acreditou que suas vontades não eram realizáveis. Um garoto realizou as vontades, o outro, não -- não necessariamente aqueles primeiros dois. Pensar que a liberdade não pode ser atingida é um perigo que os liberais e os libertários vêem na "severidade consigo" que o pensamento marxista exige como consequência da proletarização, uma vez implantada a ditadura do proletariado -- talvez por gerações... Esse é o maior problema do mundo: como se libertar da severidade, principalmente pertencendo a uma classe social mais baixa, mesmo pensando o mundo a partir da igualdade, porque, numa causalidade da geração da moral, a vontade, o apetite, o desejo, são a priori, esses impulsos vitais -- a moralização é consequência da sociedade. Infelizmente, queremos antes de sermos proibidos, ainda que compreendamos a razão do impedimento.
quarta-feira, 19 de junho de 2013
desdobramentos do superficial
Quando nos damos o limite de pensar a realidade dos bens materiais e simbólico da vida (ou vice-versa), esbarramos, inevitavelmente, no que pode separar, aos olhos de um tipo de progressistas, um conservador de um progressista. O fim da realidade, para os progressistas, deve ultrapassar e condenar os caprichos do apetite, sem que percebam que, talvez ali, resida o seu próprio gosto que, aos olhos dos ditos conservadores, seria de um vício um pouco sórdido de justificação. A profundidade como esses homens se percebem os leva a um esforço que os obriga a uma severidade. Já os por eles chamados de conservadores, por sua vez, enxergam o limite da realidade dos bens no limite da sua própria boa vida: o que chamam do seu gosto é o que os preserva de se esforçarem para além daquilo que a necessidade por justeza pode deles exigir, enquanto homens. Sim, pensam na sua própria vida, desacelerados por uma vontade de falta de esforço egoísta e pouco engajada -- e, como, com a preguiça, muitas vezes, vem uma alma morna, pode ser que procurem agir para o bem e com graça -- esse é o seu senso de justiça, que não vai além do sua economia do esforço... É quase lógico, por sua preguiça sensível, que não lutem bravamente por sobre os limites dos esforços humanos, até por crerem na própria preservação; mas, por uma sensibilidade, que é própria do homem, talvez procurem estender a mão. Para esses homens, reitero, os chamados (pelos tais progressistas...) de conservadores, o limite do seu gosto é onde está o limite da sua própria vida -- "e isso não é digno?" -- é comum que assim se defendam... Por isso é possível que neguem com muita veemência uma tal atribuição moral, porque economica (ou vice versa!), da modernidade, a todos os homens, conhecida como trabalho. Sem a força de uma pulsão para a produção, ali entre seus possíveis desejos de fazer o bem, seguidos do de se sentir bem, alheios, dessa forma, à realidade produtiva (mesmo que dela precisem para sobreviver), podem acabar sucumbindo numa pauperização material e simbólica, se não forem já cultivados e possuidores de boas riquezas, simbólicas ou materiais: a pauperização do apetite e da graça. "Assim nos agouram esses tais progressistas", eles ainda pensam! E podem, se caírem em miséria, acabar se desentendendo política, moral e esteticamente, por não exercitarem em si aquilo que a vida moderna nos fez, a nós, os iguais, necessitarmos para viver: trabalhar. É talvez a realidade da falta de bens para todos que faça a realidade da graça e do apetite (e do gosto!) impossível a todos os extratos sociais -- até moralmente e esteticamente; e que faça com que aumentem, ali na esfera da conscientização de si que torna necessário o trabalho, as probabilidades de que se cindam relações sociais que se cultivam apenas pela naturalidade do apetite. (Isso tudo sob essa tipologia advinda de tal pensamento progressista...)
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