quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

reflexão sobre a pós-modernidade

Me peguei pensando uma parada bizarra: quando a gente ri no msn, escreve o riso de maneiras diferentes. Conforme a graça aumenta, diminui, ou conforme ela é, o tipo de graça que é, ela é expressa de maneiras diferentes. Portanto, quando recebemos uma mensagem, um emoticon ou qualquer coisa que seja engraçada via msn, que é um programa de conversas instantâneas - no orkut não tem como avaliar isso porque não é instantâneo, pode ser ensaiado -, nós calculamos, determinamos e executamos o riso concomitantemente a ele, ou, no caso de uma risada enorme, nós calculamos a risada enorme, como HAUHAUHUAHAUHAUHAUHAUHA, antes de terminarmos de rir, porque escrever HAUHAUHAUHAUHAUHAUA é muito mais rápido do que a risada que isso representa - faça você mesmo pra perceber. Ou seja, a risada é só uma conseqüência de algo que você já sentiu, já entendeu, já classificou o tipo - hueheuhe/hehehe/hahaha/hauhauhau/HAUHAUHA - e o tamanho da graça. Achei isso impressionante.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

começando a desconstruir Marx - introduzindo o Cumulativismo

Vir com o papo de que a luta de classes sempre existiu, pra mim, é conversa pra boi dormir, ou então o significado de luta é outro que não o atribuído hoje literalmente - e talvez também o de classe. Como conceito de luta temos o embate, rivalidade, noção de inimizade e confronto. Luta de classes, assim, só consigo vizualizar historicamente a partir da idade moderna, onde me parece também surgir a idéia sensação de classes também. O acúmulo de bens que surgia como principal virtude, concomitante ao crescimento dos Estados Modernos Absolutistas, que centralizavam, e valorizavam a cidade, cuja estrutura é fortemente hierarquizada e complexificada, refletia numa acumulação espacial de pessoas e pessoal de bens e poderes. Era possível ver a diferença entre os grupos: o mais rico e o mais pobre, as classes. Na idade média, descentralizada, não se podia perceber as classes, as coisas eram mais particularizadas, como a divisão do trabalho era. Por compreender maior número de pessoas reunidas em volta do centro de poder político e econômico, as diferenças classistas surgiam agrupadas, aglomeradas. O modelo capitalista que evoluia permitia avanço tecnológico, criação das máquinas e criação de produtos, diferenciação de preços e os bens que se poderiam acumular tornaram-se muitos - para quem tivesse dinheiro. Ao mesmo tempo, fortaleciam-se idéias burguesas politicamente e a idéia de propriedade privada se instalava como regra geral para as insurreições burguesas - e quem seriam os proprietários das terras, nobres ou muitos servos? Nobres, em geral. Cercamento dos campos. Dessa forma, a relação social que se afirmava na Idade Média vai se perdendo. As noções de suserania e vassalagem, que cristalizavam a sociedade em ordem, tópico hiper-valorizado pelos pensadores sociais do cientificismo/realismo do século XIX, ruiam e a noção de interdependência também. Os feudos, cúmulo da descentralização do poder, mantinham uma relação mais próxima entre os seus habitantes. Por mais que o nobre fosse nobre, materialmente o que ele tinha além dos servos era um castelo e mais comida - se houvesse algum problema com as safras em seu feudo também representaria para ele um risco -, e além disso ele oferecia um bem extremamente valioso para o homem medieval: a segurança. A Idade Média vivia sob conflitos étnicos, religiosos, ameaças de saqueadores e possíveis mortes por ataques de animais, enfatizando a necessidade de um suserano, de um protetor - o senhor feudal, uma figura mais próxima dos servos, o governador da região - semelhante relação, imagino, às dos coronéis do sertão e seus "afilhados". Mas, conforme essa organização social foi se dissolvendo, tomada de constantinopla, necessidade de desenvolvimento das cidades e do capitalismo assistido por um Estado, as complexificações foram surgindo. Complexificaram-se as relações sociais, a divisão do trabalho, a forma como passou a ser interpretada a propriedade, a hierarquização, a ciência, a tecnologia, a economia. Com o fortalecimento do capital e, assim, investimentos em novos meios de produção, que permitiam a geração de mais capital e assim de mais investimento em tecnologia, a burguesia passou a deter, além de muito mais riquezas que tinha um senhor feudal - hoje existem iates particulares -, a burguesia detém muito mais poder. Os governantes poderosos, de limites políticos bem mais habitados que feudos medievais - metrópoles, países, estados -, são distantes da população e muito mais próximos da classe responsável pelo setor produtivo. As centralizações de poder sobre países e não sobre organizações sociais pequenas trás a imagem de uma Luta de Classes - uma classe excluída e outra globalizada. Além da percepção de divisão classista, em virtude da dificuldade de acesso ao poder de consumo, é possível também perceber a desvalorização do trabalho braçal e da classe operária, também como uma causa dessa dificuldade de consumo da maioria. As suas capacidades políticas, assim como seu potencial de consumo, em função da sua desimportância econômica e social, também são reduzidas. Que operário tem importância depois da segmentação do trabalho e do surgimento do exército de mão-de-obra decorrente do êxodo rural imposto? Que campo precisa valorizar e manter empregado o trabalhador rural se há máquinas para executar seus serviços? Só assim se pode perceber uma efetiva polarização em classes, só quando não há a sensação de funcionalidade e complementaridade entre os entes da sociedade. Dessa forma, ouso concluir uma desconstrução sobre o pensamento marxista. Se a Luta de Classes, base da dialética histórica, surgiu com a modernidade, é possível ainda sustentar que tudo é dialética, que toda a história foi dialética, dividida sempre em uma Luta de Classes? Não me parece certo depois de toda essa reflexão. O Cumulativismo me parece suprir a explicação tanto da forma como o materialismo histórico se apresenta, como da razão para o pensamento Marxista ter se fundamentado na dialética.
(Mas e a classe média nisso tudo? Um pequeno acúmulo que cresce sempre mais, a classe média não tem noção de exploração, pois se vê útil em seu consumo, sua forma de manifestar poder, de se sentir complementar à sociedade. Inferior, mas reconhecida - quem pagaria os impostos e compraria os bens produzidos, quem? Não seria o exército de mão-de-obra, ah não...)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

sobre pessoas queridas e ruidosas

não me calo diante do que dizes,
posto que o que dizes já foi falado,
me calo, atenta ao que tu gritas
estando enfim, calado

Sete Epitáfios para uma Dama Branca (Que, descalça, media 1,65m e, nua, pesava 54 quilos)

"Nunca dei presentes a ela, nunca recebi nada. Não sei se sua caligrafia era redonda ou inclinada, legível ou feia, ou se ela colocava bolinhas em lugar dos pingos nas letras.
Nunca conversamos sobre religião, não sei se ela acreditava em Deus. Em reencarnação ou em horóscopo. Não sei se ela gostava de gatos ou se pensou em colecionar selos. Nunca perguntei se ela se interessava por política, futebol ou mesmo se tinha o costume de se masturbar.
O nome de seus pais, o que ela achava de homens com barba, das loiras, de armas e de tatuagens - são coisas que eu nunca vou saber. Não descobri se em alguma ocasião ela passou fome na vida. Se teve uma tia epilética...
Será que, como eu, ela achava que a felicidade é um negócio que inventaram pra enganar os pobres, feios, e os desesperançosos? Nem sei se ela teve um primo que vivia pedindo dinheiro emprestado. Não sei se tomou drogas um dia ou se era bamba em matemática no tempo da escola. Se gostava de resolver as palavras-cruzadas do jornal. Será que sabia jogar truco? Teve todas as doenças da infância? Se em algum momento humilhou alguém e se arrependeu depois. Se gostava de brócolis. Se alguma vez perdeu o sono por causa de dívidas. Se pensou em fugir. Se lembrava dos sonhos depois que acordava; Se sonhava...
Eu nunca soube o que essa mulher achava do novo papa. E de velhas que ainda usam laquê.
Compreendeu o significado da palavra "sacrifício" a tempo? Será que ela se orgulhou de algo de que deveria se envergonhar? Será que se lembra da primeira vez que viu o mar? Do primeiro beijo? Será que ela se sentiu digna em alguma oportunidade? e suja? Eu nunca soube o que ela achava do salário-mínimo. Da ioga. Das surubas. E das coisas que assustam quando pensamos nelas. De gente que tem medo de escuro. E de quem sabe que temos escuros dentro da gente. Eu não soube nada disso.
No entanto, sabia sua altura. Porque ela precisava ficar na ponta dos pés toda vez que nos beijávamos.
E sabia seu peso: ela me falou um dia, na cama, quando quis ficar por cima."


Livremente adaptado do Epitácio V., escrito por Marçal Aquino

Fonte: O Amor e Outros Objetos Pontiagudos.

domingo, 25 de janeiro de 2009

A gente quer comida, diversão e arte

Ai, como é preciso preencher,
como é preciso o contato
massa em contato com massa.
Se está com fome,
comer é bom enquanto se sente a comida na boca
depois é tédio.
Pra fuder, o mesmo.
Com a arte, o mesmo,
com o dinheiro, também -
quem teria dinheiro para simplesmente ter dinheiro
e não para comprar e comprar?
Por isso,
depois da comida
depois do sexo
depois das compras
se precisa preencher
com mais sexo
ou mais comprar
ou mais comida
e me vêm as drogas.
Vegetais é que são felizes...
Autotróficos...

abstinência ou fissura?

Gostaria de fazer um relato da minha abstinência - ou fissura, visto que não sei a partir de quanto tempo a fissura pode se tornar abstinência, e isso é um ponto fundamental para esse meu relato. Estou há algumas horas sem fumar, mas estou passando por um porcesso que eu preferi chamar de redução de danos: não compro mais nenhum tipo de THC, o que não quer dizer que eu tenha parado de fumar. Como um amigo meu me disse, estou reduzindo os danos do meu bolso só, porque, se todos os meus amigos fumam e moram perto de mim, então não tem jeito, eu fumarei e deixarei de gastar do meu. Eu digo que, tá, essa constatação é válida, mas não totalmente. Por exemplo: o que seria da vida de um maconheiro se ele não fumasse antes de dormir? Ou melhor, a pessoa pode ser considerada maconheira se ela não tiver o bagulho diário para fumar antes de dormir? Eu vejo que esse é o principal problema. Conseguir dormir, ou passar toda uma madrugada de férias acordado sem dar um dois é sofrível. Motivos para achar isso uma merda: pra começar, ler se torna a coisa menos agradável do mundo; se torna repetitivo e sem graça ficar atualizando sua página inicial do orkut ou ficar vendo vídeos de gafes de jornalistas e tombos de apresentadores da globo - é muito bom perceber que está chato e parar para apertar um baseado, que vai dar todo o ânimo àquilo de volta; não existe mais larica da madruga, quanto tempo eu gastava durante a madrugada com isso e não sabia; sem contar que agora eu posso me considerar um vegetal sem a escusa de ser um vegetal por ser maconheiro - agora eu consigo ver que é da minha índole, da minha essência 'curtir' as madrugadas das férias, não era só porque eu fumava e isso, de alguma maneira, desvirtuasse meus hábitos. Na verdade, não posso ter certeza ainda disso - conflito eterno na minha mente - pois ainda posso estar passando por um processo de ambientação aos novos modos de vida. Mas o que há de tão novo assim no meu modo de vida atual,? eu me pergunto lembrando que não parei de fumar, estou apenas utilizando uma técnica autodenominada (novas regras de escrita em prática!) redução de danos. Se todos os meus amigos sempre vêm apresentar beck, se inclusive parentes meus fumam, o que me alicia diariamente, eu diria que só não fumo de noite, na madrugada, digo que estou me torturando porque quero, só por uma questão da ethos minha sociedade, cristã - martírio e salvação - acreditando estar sendo extremamente revolucionário comigo mesmo e na posição que sustento diante dos meus amigos. Talvez eu espere, na verdade não esperando, que as pessoas se toquem que eu pretendo, não pretendendo totalmente, parar de fumar aos poucos, como aquela merdinha que vende no programa da Márcia "pare de fumar fumando". Enfim, eu gosto de viver minha ilusão, dá licença? Ainda mais que o efeito da minha nova postura começa a ruir quando todos me vêem fumando do deles e ainda dizendo pretender comprar quando rolar o verme, só quando rolar o verme. Agora vou fingir que estou com sono pra mim mesmo e deitar na minha cama, até embolar o lençol todo, levantar depois, ainda não tendo dormido, quando o sol já estiver dando sinais de vida, para er se recebi algum scrap ou mensagem no msn - o que com certeza não acontecerá porque as pessoas são normais.
ps: multishow de madrugada no mute pode ser muito engraçado, mesmo não estando chapado. Estando, poderia ser mais atrativo que qualquer interação social supervalorizada e muito bem-estimada.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

eu quero só falar
o que vou vir a dizer?
o que se gosta de ouvir
o que se faz pra esquecer