terça-feira, 2 de junho de 2026

Mais sobre o Édipo Geracional

Minha dúvida, agora, no que diz respeito ao Complexo de Édipo Geracional, relaciona-se com a qualidade crítica da sociologia como força e com a sua aplicação prática na motivação das escolhas individuais para a liberdade. Se nascemos inscritos na cultura, o que temos para escolher são mesmo despojos de guerra. Nesses despojos, estão as permissões e as interdições. Afirmar a liberdade, então, primeiramente, é sempre negar, aplicar a inversão. Não sei bem dizer. Dizem que nos são oferecidos pelos pais as sugestões de ser, e que esolhemos ou não as coisas. Será que poderíamos escolhê-las criticamente? Reencenar transgressivamente os problemas, reviver as interdições em sua pedagogia oculta? O que é escolher neste mundo? E o que é afirmar -- e o que a crítica sociológica pode com isso? Às vezes tenho a sensação de que insistir em ficar falando disso é uma espécie de birra, e que eu queria, na verdade, ver-me livre de tudo isso. Mas o que eu faria no lugar? O que são os meus gostos? Quanto tempo eu teria para transformar tudo em algo totalmente novo? Já li que o Andy Warhol esteve doente uma época de sua vida, bem novo, e viveu esse período rodeado pelos discos das celebridades que ele admirava. Li também que ele, por mais que se dissesse entediado, costumava dizer que gostava de tudo. A sua transparência, no entanto, é cortantemente crítica. Ele é tudo o que era pra ser, só que, talvez, ao contrário, invertendo o sentido dessa colagem histórica de que acabou sendo o catalisador afirmativo, como é o dinheiro em função da sociologia, ou vice-versa (e aqui abro espaço para certa crítica da teoria do gotejamento aplicado à estrutura social brasileira -- mas isso é outra história).

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