quinta-feira, 1 de outubro de 2009

moderna vida-ela-mesma

o medo do novo
e a passividade
da espera:
nesse ponto
desonramos o que nos motiva,
nós
modernos

mas isso talvez seja necessário
porque somos renascidos:
antes
um período de finco
de medo
de fé
em paradigmas passados
uma boa vontade
uma caridade com os estatutos
de uma rotina
do costume

e depois
como uma consequência
dos anos no medo
seja antítese a antítese
seja por uma vontade maior, sua
seja pelo que for, cara
você vai se cansar desse tudo
divinamente encaixado
instituído
e vai experimentar o nada
o nada
e estará renascido
em branco
desalienado
vontade puríssima

por você

você vai se cansar de trabalhar o velho
você vai estar esfolado de tentar compreender um deus
você vai finalmente iniciar o projeto seu, novo
você, que é moderno, vai buscar a realização na sua cultura

um sentido pequeno atrás do outro
uma coragem latente numa busca para si
e o argumento maior da sua vida vai ser você
é você, coisa pensante de corpo que sente
você vai desmistificar a existência do nada
vai se encaminhar pelas novidades que enxergará
no infinito
e vai viver, vai se empenhar, vai desanuviar
sabendo do nada
sabendo da morte
mas com uma pretensão sua
a pretensão de novo
e que por isso não quer mais parar
de experimentar e se cansar e experimentar
de novo - mesmo sabendo
do nada
e de pouco.

Um comentário:

Unknown disse...

aaaaaaaantony, vc continua o mesmo, te amo, casa comigo? ahuahuah